Os deputados estaduais ouvidos pela reportagem da Folha estão convencidos de que o incidente ocorrido anteontem, envolvendo a Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) e a Assembléia Legislativa, foi resultado de uma provocação da Prefeitura e da Diretran em retaliação às denúncias que vêm sendo feitas pelos deputados.
‘‘Pelo aspecto da legalidade, acho que os agentes da Assembléia não têm poder de polícia fora dos muros da Casa, mas o processo dá a entender que houve uma provocação do pessoal da Diretran, já que, um dia antes, o próprio presidente da Assembléia falou em plenário que mandaria prender agentes da Diretran que viessem aplicar multas aqui. Coincidentemente, no dia seguinte eles aparecem’’, disse o deputado Algaci Túlio (PTB). Ele, entretanto, condena o modo como agiram os seguranças da Assembléia, trazendo os fiscais da Diretran para dentro e colocando-os em ‘‘situação de constrangimento’’.
O deputado Caito Quintana (PMDB) disse não acreditar na afirmação da Diretran de que o os agentes agiram atendendo a uma denúncia de um morador da região. ‘‘Isto é uma inverdade, porque nem existem moradores nesta área. Tudo isto não passou de uma bobagem do pessoal da Diretran, que queria nos pressionar, o que obrigou a Assembléia a tomar uma atitude mais forte frente à provocação’’.
O deputado Nelson Justus (PTB) disse que aprova totalmente a atitude de Aníbal Khury. ‘‘Eles decidiram provocar multando, quando o regimento da Assembléia é claro ao dizer que cabe à esta Casa fazer a segurança da área’’.
O deputado Péricles de Holleben Melo (PT) considera que a Diretran agiu desta maneira em função da votação, anteontem, do projeto do deputado Ricardo Chab, que parcelou em até doze vezes o pagamento das multas emitidas em 1998. ‘‘A Assembléia não pode ser perseguida porque está votando uma lei’’.
Indústria de multas - Os deputados também mostraram-se convencidos de que realmente existe uma indústria de multas não apenas em Curitiba, mas em todo o Estado. Eles defendem o retorno da fiscalização pelo poder público e não por empresas privadas.
Para Caito Quintana, a fiscalização do trânsito é uma atividade ligada à segurança pública e, como tal, deve ser um serviço público. ‘‘Do jeito que está virou uma espécie de caça-níquel, pois quanto mais a empresa multa, mais ela ganha. E quem paga o pato é o motorista’’, diz. Para provar esta situação, Algaci Tulio apresentou à Assembléia uma multa aplicada aos 10 minutos da madrugada em um pátio de uma igreja, por estar atrapalhando a saída de veículos. ‘‘Este fato deixa transparecer o caráter destas multas’’. Os deputados também citam a ação dos fiscais nas rodovias, que ficam escondidos e em veículos não caracterizados enquanto multam os motoristas.(M.G.)

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