Deputados apontam falhas da Sanepar na barragem do Iraí
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sexta-feira, 14 de setembro de 2001
Maigue Gueths 
Os deputados estaduais da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Sanepar estão convencidos de que a empresa não fez as obras necessárias para saneamento e limpeza da área antes de construir a barragem que formou o lago do Rio Iraí, na Região Metropolitana de Curitiba. Eles acompanharam ontem de manhã a vistoria nos sistemas de coleta de esgoto ao redor da barragem.
A Assembléia Legislativa criou a CEI para investigar a qualidade da água distribuída em Curitiba e cidades próximas, em especial o sistema do Iraí - responsável por 70% do abastecimento da região. ''É aquela velha história: a pressa é inimiga da perfeição'', disse o deputado Algaci Túlio (PTB), que não faz parte da CEI mas participou da vistoria.
Para o deputado Neivo Beraldin (PSDB), presidente da CEI, os problemas na barragem, como a proliferação de algas - que provocam mau cheiro e coloração na água - e o aparecimento de lixo ao redor do lago, são consequências da falta de ações básicas antes da construção da barragem.
Na vistoria, os deputados não constataram nenhum problema aparente. À tarde, Beraldin encontrou no lago uma ligação clandestina de esgoto do hospital Adauto Botelho. Ele coletou o líquido despejado pela estação e enviou para análise do Laboratório Frischmann Aisengart e do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. O diretor de Novos Negócios da Sanepar, Lauro Klas Júnior, disse desconhecer qualquer ligação clandestina e pede que o deputado indique o local para ser vistoriado.
O deputado disse que a Sanepar é que deve encontrar suas falhas. Beraldin declarou que a empresa vem atuando de maneira errada desde que construiu a barragem.
A principal crítica dos deputados é quanto à falta de rede de esgoto em volta da barragem, o que levou ao despejo de efluentes domésticos no lago. O diretor da Sanepar acredita que a empresa tenha feito ''pelo menos 90% do que deveria para evitar problemas''.


