Deputado quer acabar com as torcidas
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segunda-feira, 02 de março de 1998
Leandro Donatti 
Arquivo FolhaTorcidas organizadas, como Os Fanáticos, do Atlético, podem ser ser extintas no Paraná por causa da violênciaO tiroteio envolvendo a torcida do Atlético Paranaense, depois do jogo com o Iraty no último domingo, chegou à Assembléia Legislativa, em Curitiba. Os deputados aprovaram ontem requerimento de Renato Adur (PMDB) - irmão do presidente em exercício do Atlético, Ademir Adur - que instala comissão especial para investigar a culpa pelo incidente. Toti Colaço (PMDB), deputado da região de Irati, promete apresentar projeto de lei que responsabiliza as direções dos clubes por eventuais danos ao patrimônio, provocados por torcidas. E Nereu Moura, do PMDB de Cascavel, quer ação do Ministério Público e a extinção das torcidas organizadas no Paraná.
Renato Adur, Toti Colaço e Caíto Quintana (PMDB) farão parte da comissão que desembarca em Irati nos próximos dias para ouvir os envolvidos no tiroteio. Não podemos nos levar pelas emoções, disse ontem Adur, que é atleticano declarado. Para ele, a culpa não pode recair sobre o clube, dirigido pelo irmão, mas sobre os torcedores, que foram o pivô no episódio. A torcida é uma pessoa jurídica autônoma que tem de responder pelos seus atos, defende o deputado. Ele diz que a comissão ouvirá os envolvidos para elaborar parecer mais isento. Não quero defender o Atlético, nem o Iraty. Porém, punir a direção do clube é um absurdo, observou.
Toti Colaço usou a tribuna ontem em defesa dos proprietários do posto depredado e da borracharia queimada pelos torcedores. Quem é que vai pagar a conta?, questionou. Colaço entende que delegar à torcida os prejuízos é um erro. O chefe das torcidas é sempre um João Ninguém. Quem tem arcar com os custos são os clubes, defende o deputado. Colaço acredita que um projeto de lei vinculando a responsabilidade das direções aos atos da torcida ajudaria a coibir a violência nos campos de futebol. A culpa está clara. Os torcedores foram para Irati com as passagens de ônibus e bilhetes para o jogo pagos pelo clube, assinalou.
Defensor de uma proposta polêmica - considerada por muitos deputados inconstitucional e inviável do ponto de vista legal -, Nereu Mura pregou ontem o fim das torcidas organizadas no Paraná. Ele apresenta hoje requerimento pedindo autorização para, em nome da Assembléia, pedir à Procuradoria Geral de Justiça a proibição de torcidas. Nós, como autoridades, precisamos acabar com este tormento que vem se proliferando no Paraná, discursa o deputado. Moura diz que não há impedimentos jurídicos para a sua proposta, que, segundo ele, já foi implantada por outros estados.


