Deputado Praczyk admite adoção ilegal
James Alberti
De Curitiba
O deputado estadual Edson da Silva Praczyk (PL) admitiu ontem, em depoimento emocionado ao plenário da Assembléia Legislativa, ter adotado ilegalmente os filhos da dona de casa Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, e do operário Natálio Firszt, 29 anos, de Campo Largo. O deputado, que é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, classificou de deslize o fato de ter registrado os bebês com seus e da mulher, Rosária Tobias Praczyk. O ato é crime previsto no artigo 242 do Código Penal. Nunca a área jurídica foi meu forte, justificou.
Praczyk negou, no entanto, que tenha dado material de construção e cestas básicas em troca das crianças, como denunciou a mãe biológica dos bebês, em fevereiro deste ano, ao Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). Em maio, quando a Folha denunciou o caso, Marisa confirmou que tinha recebido material de construção e cestas básicas. A madeira, que seria destina à construção de uma meia água, foi, inclusive, filmada por canais de televisão.
Durante o depoimento, o deputado chorou copiosamente e disse que não se arrepende do que fez. Conforme ele, o discurso era um desabafo, que estava engasgado. Criticando setores da imprensa, que estariam distorcendo os fatos, Praczyk disse que o tinham pintado pior do que era. Pintar o diabo pior do que ele é. Isso que dói, afirmou.
O deputado afirmou que mais de dez mil pessoas sabiam que ele e a mulher tinham vontade de adotar uma criança, já que Rosária não podia ter filhos. Praczyk disse ter ficado sabendo que havia um casal em situação miserável e mandou um pessoa de confiança averiguar. Segundo o deputado, essa pessoa lhe trouxe as crianças. Praczyk disse que o pai biológico dos bebês era drogado, viciado em álcool e espancava a mulher. Para o deputado, a adoção das crianças foi um ato humano, que salvou-lhes a vida.
Os bebês nasceram em novembro do ano passado, em Campo Largo, e foram adotados ilegamente no mês seguinte. Em 22 de dezembro, um dia depois das crianças terem sido retiradas da mãe, foram feitos os registros falsos no cartório do bairro Uberaba, em Curitiba. Conforme os documentos, os bebês teriam nascido no dia 6 de novembro de 1998, na Rua José de Oliveira Franco, 1962, bairro Alto, em Curitiba, antigo endereço da família de Praczyk.Em depoimento emocionado na Assembléia Legislativa, o deputado e pastor Edson Praczyk disse que cometeu um deslize
Albari RosaChoroO deputado Edson Praczyk chorou ao falar ao plenário da Assembléia Legislativa sobre a acusação de adoção ilegal





