Deputado pede inquérito sobre agressão
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terça-feira, 31 de outubro de 2000
Lino Ramos De Londrina 
O deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT), representante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, vai pedir abertura de inquérito policial para investigar nova denúncia de espancamento contra detentos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Ele esteve ontem à tarde na sede da subseção da OAB em Londrina a convite do Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDH). Padre Roque, que visita hoje de manhã a PEL, também anunciou que irá encaminhar um ofício ao Governo do Estado e à Secretaria Estadual de Segurança Pública.
Também participaram da reunião representantes do CDH e OAB de Maringá, além do representante do Comitê Nacional dos Direitos Humanos, Alberto Abraão Vagner da Rocha, que acompanharam presos transferidos de Londrina para a Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) após o incidente. O grupo também esteve na Catedral onde relatou os casos de tortura ao bispo-auxiliar dom Vicente Costa. Após ler um relatório elaborado pelo CDH, Padre Roque afirmou que o emprego da tortura é comum, ordinária e cotidiana em todas as prisões do País. A pior talvez seja a superlotação e as ameaças, a tortura psicológica, reagiu.
De acordo com o secretário do CDH de Londrina, Jorge Custódio Ferreira, no dia 19 deste mês, 22 presos foram espancados após um confronto entre detentos e agentes penitenciários. Os internos Wilson da Silva, 23 anos, Alexandre Gonçalves de Souza, 23, teriam contado detalhes da agressão. Emerson Barbosa e Genivaldo Barbosa, transferidos para a PEM, também confirmaram o espancamento. Principalmente o Emerson tinha muitas lesões nas costas, afirmou o advogado Matheus Felipe de Castro, da OAB de Maringá.
O diretor em exercício da PEL, Manoel Gonçalves Neto, garantiu à Folha que não houve espancamento de presos. Segundo ele, na manhã do dia 19 foi realizada uma operação pente-fino nas celas da 7ª galeria porque, na noite anterior, a direção da unidade soube que estava sendo armado uma rebelião. Houve um confronto físico entre os agentes e os presos. Isso dentro de uma prisão não é anormal. Naturalmente, um preso ficou roxo aqui ou ali, mas nada que precisasse de intervenção médica. De um confronto para um espancamento há uma grande diferença, disse o diretor, alegando que foram encontrados sete estoques no interior das celas.
Manoel Neto disse ainda que os presos estão sendo encaminhados para exames no Instituto Médico-Legal e a PEL está à disposição de Padre Roque. Você tem um confronto onde 22 presos são espancados e apenas um policial sofreu escoriações, ironizou o advogado Jorge Custódio. Em três de agosto, o CDH denunciou o espancamento do preso Isaías Cordeiro da Silva, 23 anos, condenado a mais de 23 anos por quatro assaltos e um furto.


