Deputado não entrega gêmeos e foge
James Alberti
De Curitiba
O deputado estadual Edson da Silva Praczyk (PL) fugiu ontem de um oficial de justiça de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, para não entregar o casal de gêmeos que adotou ilegalmente no ano passado. O oficial, que estava acompanhado de uma psicóloga, tentou cumprir uma ordem de busca de apreensão dos filhos da dona de casa Marisa de Souza Taborda da Maia e do operário Natálio Firszt, mas não conseguiu. O mandado foi expedido ontem pelo juiz André Luiz Taques de Macedo, do Juizado da Infância e Juventude de Campo Campo.
O casal de gêmeos tem 11 meses e vive com o deputado e a mulher, Rosária Tobias no apartamento 31, da Rua Bento Viana, no bairro Batel. O oficial teria chegado ao endereço por volta das 15 horas, mas não teria encontrado nem Praczyk nem a mulher. Segundo apurou a Folha, uma funcionária de Praczyk teria afirmado que Rosária havia viajado para o Rio de Janeiro e levado as crianças. No entanto, o oficial e a psicóloga entraram no apartamento e encontraram mamaderias sobre uma mesa, o que seria um vestígio de que as crianças teriam sido retiradas às pressas do apartamento.
Embora funcionários do prédio não confirmem, há informações da polícia de que as crianças foram retiradas do edifício enquanto o oficial vistoriava o apartamento. A recusa em atender o pedido da Justiça pode complicar a situação do deputado, que é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. Ele e a mulher respondem inquérito pelos artigos 242 do Código Penal, por registro falso de criança, e 238 do Estatuto da Criança e do Adolescente, por comércio de criança.
Ao fazer a denúncia no começo deste ano, Marisa da Maia disse que tinha recebido material de construção e cestas básicas para entregar as crianças. O deputado nega. Praczyk confessou, porém, ter registrado como seus e da mulher Rosária os filhos do casal de Campo Largo.
O advogado René Dotti, que defende Praczyk do processo criminal, disse estar impedido de falar sobre o mandado de busca e apreensão. Mesmo assim, disse acreditar que os pais biológicos estariam querendo os bebês de volta para se proteger do processo criminal, já que eles também são acusados de comércio de criança. Outro advogado, José Antonio Faria Brito, defende o deputado quanto a guarda dos bebês.





