Deputado indiciado por comércio de bebês
James Alberti
De Curitiba
O deputado estadual Edson da Silva Praczyk (PL) foi indiciado ontem em inquérito policial por comércio e registro falso de criança. Somadas, as penas para os crimes variam entre três e dez anos de prisão. A Assembléia Legislativa do Paraná já demonstrou, porém, posição contrária a permissão para que Praczyk seja julgado pela Tribunal de Justiça.
O deputado, que também é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, é acusado de adotar ilegamente e registrar como seus e da mulher, Rosária Tobias Praczyk, os filhos do casal Marisa Taborda da Maia e Natálio Firszt, de Campo Largo. Os bebês nasceram prematuros em novembro do ano passado e foram entregues para Praczyk em dezembro, um dia após terem saído do hospital.
A mulher do deputado não foi indiciada. O delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert, afirmou não ter conseguido indícios da participação de Rosária. O delegado, no entanto, indiciou o relações públicas Paulo Ronaldo de Andrade, que é chefe de gabinete do deputado. Andrade é acusado de ser o mentor da adoção ilegal. Ele providenciou tudo, querendo fazer média com o chefe, disse Herbert. O relações públicas foi indiciado por comércio e registro ilegal de bebê.
Os pais biológicos das crianças também foram indiciados, mas somente por comércio de crianças. A própria Marisa afirmou, ao denunciar o caso, que tinha recebido cestas básicas e material de construção para entregar os filhos.
Ontem o delegado encaminhou o inquérito, número 006/99, para a Justiça de Campo Largo, local onde aconteceu o crime. O Ministério Público de Campo Largo deverá apreciar o inquérito e decidir se apresenta denúncia contra o relações públicas e os pais biológicos. Com relação ao deputado, o inquérito deverá ser remetido ao Tribunal de Justiça do Paraná. Por ter imunidade parlamentar, Praczyk não pode ser julgado pelo juiz de Campo Largo.
O inquérito contra o deputado deverá ser apreciado pelo Ministério Público estadual. Caso o deputado seja denunciado, o Tribunal de Justiça terá que pedir licença para a Assembléia Legislativa para processar Praczyk, o que dificilmente acontecerá.
Apesar do indiciamento, nada muda com a guarda da crianças. O deputado e a mulher conseguiram a guarda provisória dos bebês. Os pais biológicos lutam na Justiça para obter as crianças de volta.Delegado indiciou o deputado Edson Praczyk por comércio de criança e registro falso dos gêmeos de Campo Largo
Fotos: Arquivo FolhaPraczyk só será julgado com licença da Assembléia LegislativaO delegado Harry Herbert também indiciou auxiliar do deputado





