Curitiba - O deputado estadual Aílton Araújo (PSDB) foi vítima ontem de uma tentativa de extorsão por telefone, um tipo de golpe que tem ocorrido com frequência no Paraná. Durante a sessão da Assembléia Legislativa, uma ligação foi feita para o gabinete do deputado informando que um membro da família do deputado teria sido sequestrado, e que só seria liberado mediante o pagamento de um resgate.
A notícia causou alvoroço entre os deputados, levando o presidente interino da Casa, Augustinho Zucchi, a suspender a sessão. Depois de algumas ligações telefônicas, verificou-se que os membros mais próximos da família do deputado estavam a salvo.
Dez minutos após o primeiro telefonema, o estelionatário retornou a ligação para o gabinete do parlamentar. O deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), ex-delegado da Polícia Civil, atendeu o telefonema identificando-se como Araújo. Ao perceber o sotaque do golpista, Bradock percebeu que o sequestro era falso. ''Ele tinha sotaque carioca, e as informações da Secretaria de Segurança do Paraná indicam que esse tipo de golpe está sendo praticado principalmente por detentos das penitenciárias do Rio de Janeiro'', afirmou Bradock.
Segundo o peemedebista, o estelionatário não tinha nenhuma informação sobre a família de Araújo. ''Ele apenas falou que estava com 'um membro' da família em cativeiro. Eu respondi então: 'Bom, eu também estou com um membro da sua família aqui. O que nós vamos fazer, vamos trocar?' Quando eu disse que o telefone estava grampeado, ele desligou rapidinho'', comentou Bradock.
Segundo a Polícia Militar, os casos de extorsões telefônicas têm aumentado bastante no Estado. ''É por isso que é necessária uma verificação de dados mais completa na hora da venda dos telefones celulares e na abertura de contas nos bancos. O cara joga um verde desse, e de repente ainda consegue sacar um dinheiro nos bancos sem o mínimo problema'', afirmou Bradock.
Outra modalidade de golpe que está sendo aplicada é o roubo de celulares. O ladrão procura na agenda um número apropriado ao golpe - registros denominados ''mãe'' ou ''casa'', por exemplo. Ao receber uma ligação do celular do filho, os pais podem se apavorar e acabar atendendo as exigências do criminoso. A recomendação da polícia é que esses nomes sejam trocados por siglas, dificultando a extorsão.

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