Curitiba O deputado estadual Ailton Araújo (PTB) foi vítima de um sequestro-relâmpago na última segunda-feira. Ele foi abordado por dois homens armados no final da tarde, quando entrava no seu carro, onde sua mulher o esperava, em frente à obra de sua nova casa, no bairro Santa Cândida. Eles rodaram com o casal por cerca de 40 minutos até abandoná-los na BR-116. Os ladrões levaram o veículo, um golf, dois telefones celulares e cerca de R$ 1 mil que, segundo o deputado, seria usado para pagar a faculdade da mulher.
''Quando eu estava fechando a porta do carro, alguém segurou e mandou minha mulher ir para trás e eu para o lado. Por um momento pensei que era até brincadeira'', contou Araújo. O deputado afirmou que os dois rapazes contaram que queriam o carro para fugir. O casal os guiou até a BR-116, onde foram abandonados.
''Não falei que era deputado. Mas em um primeiro momento imaginei um sequestro, pois por ser deputado eles poderiam imaginar que eu conseguiria mais dinheiro. Daí já veio na minha cabeça o cativeiro, o resgate enorme e até a nossa morte'', relatou.
Segundo Araújo, no momento do crime os pedreiros viram e o mestre-de-obras tentou chamar a polícia pelo telefone 190, mas ninguém atendeu a ligação. ''Ele ficou no telefone por mais de 20 minutos. Eles tiveram que correr até um posto da polícia para pedir ajuda'', afirmou.
As reclamações das pessoas que precisam do 190 já acontecem há algum tempo. A reportagem da Folha ligou para o serviço às 16h27m47s e foi atendida dois minutos e 47 segundos depois. O policial que atendeu argumentou que a demora acontece porque durante o dia, do total de ligações, apenas 12% são ocorrências. Segundo o policial, 70% são trotes e 18% pedidos de informações.
A assessoria da secretaria de Estado de Segurança Pública afirmou que a média de espera dos atendimentos é de um minuto e 35 segundos. No caso da ocorrência com o deputado, o serviço, segundo a secretaria, registrou uma chamada às 18 horas, porém como a pessoa não sabia dar informações mais precisas, os policiais da região foram acionados pelo rádio. E depois o serviço registrou outra ocorrência, essa às 18h15, feita pelos policiais que prestaram atendimento ao casal depois que eles foram soltos.
A assessoria da secretaria de Segurança informou que não tem registro do número de sequestros-relâmpagos que aconteceram em Curitiba em 2004. Isso porque esse tipo de crime não está previsto no Código Penal e por isso é contabilizado como roubo.
Ainda de acordo com a secretária, ''em 2004 foram registrados 49 sequestros em que as pessoas foram mantidas em cativeiro, todos eles solucionados pela polícia.'' Em 2003 não houve nenhum registro oficial desse tipo de crime.

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