O deputado estadual Ricardo Chab (PTB) pretende apresentar emenda na mensagem do governo que prevê a implantação de ‘‘chips’’ em todos os carros licenciados no Estado. Chab quer que o uso deste dispositivo seja obrigatório apenas nos veículos públicos e seja facultativo nos carros privados, como forma de preservar a privacidade dos cidadãos. Porém, o diretor-superintendente da Celepar, Francisco Krassuski, considera que este direito não é afetado com a implementação do chip. O projeto será colocado em votação na próxima segunda-feira, data em que deve ser apresentada a emenda.
‘‘Quem tiver em mãos os dados colhidos por este sistema vai saber da vida de cada motorista do Estado’’, afirma o deputado. Chab considera que não existe segurança no manuseio dessas informações, por isso teme que sejam usadas por sequestradores. Mas o diretor da Celepar rebate a afirmação, justificando que a informação no chip é a mesma que existe na placa do automóvel. ‘‘Nos postos onde serão feitas as leituras de IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) atrasado, a única informação disponível é a das placas com débitos’’, afirma.
Francisco Krassuski argumenta ainda que a adoção do chip pode resultar em maior segurança nas estradas e também dos condutores. ‘‘Isso é bobagem. Na verdade, o chip é mais cômodo na cobrança do IPVA’’, reclama. A Secretaria de Estado da Fazenda estima uma evasão de 10% do tributo (R$ 20 milhões).
O diretor da Celepar sugere que o deputado conheça melhor o sistema a ser empregado. Ele explica que o sistema vai funcionar por rádio-frequência, emitindo um único dado que seria o da placa do carro. Caso, em algum posto de verificação, seja apontado que o carro está irregular, um painel vai acender uma luz, solicitando a parada. Se o veículo prosseguir viagem, vai ser fotografado.
O sistema vai possibilitar também o controle da velocidade do veículo. ‘‘Nos postos rodoviários, os policiais vão obter a média da velocidade por meio do tempo que o motorista percorre entre os postos’’, comenta. Ele cita como exemplo um caminhão que fizer uma viagem de Curitiba a Paranaguá em 40 minutos - ele poderá ser multado pelos policiais. ‘‘Ele vai ter realizado a viagem na média de 130 quilômetros por hora’’, ilustra. Além desse serviço, o chip pode possibilitar outros sub-produtos, como o controle de carros roubados, por meio da checagem de placas frias, e a cobrança de pedágio (ver box).

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