Representantes do Centro de Direitos Humanos dos Policiais do Paraná (CDHPOL), Comissão Nacional dos Direitos Humanos e do Movimento Tortura Nunca Mais foram impedidos de entrar ontem na carceragem do 11º Distrito Policial, na Cidade Industrial de Curitiba. Eles queriam fazer uma vistoria no local para verificar as condições de vida dos presos. No local, 140 presos disputam as celas com capacidade para apenas 40 pessoas. O delegado titular, Joél Beni de Oliveira, explicou que a visita poderia representar um risco para todos. ‘‘Não posso autorizar. As condições não são adequadas. Entrar na carceragem pode ser um risco para todos nós’’, declarou ele, na presença da imprensa.
No distrito, apenas três policiais civis fazem o plantão. Eles são responsáveis por cuidar dos presos, entregar intimações e fazer diligências investigativas. ‘‘Não sobra tempo para nada’’, afirmou o delegado, que assumiu o cargo logo após a fuga de 99 detentos no final do ano passado. Atualmente, as fugas continuam acontecendo, mas em menor escala. A última grande fuga ocorreu no dia 16 de setembro. Outras três pequenas fugas ocorreram, mas por negligência dos funcionários. ‘‘Hoje temos uma situação constante de risco. Os presos têm que ficar soltos nas galerias por causa do espaço, que é muito apertado’’, confessou.
O deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT-PR), representante da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, lamentou a situação carcerária do Paraná e sugeriu que as entidades se reúnam para sugerir mudanças. ‘‘Não adianta apenas apontar as falhas. Temos que apontar soluções’’, declarou ele. Entre as soluções destacadas pelo grupo estão a liberação de agentes penitenciários para cuidar das cadeias públicas, a realização de um mutirão para fazer um levantamento carcerário, humano e jurídico dos presos e a utilização das penas alternativas. ‘‘Isto tem que ser imediato. Temos muitos presos e mais de 40 mil mandados de segurança que devem ser cumpridos’’, disse Luis Bordenowski, presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis (Sinclapol).