Deputado é acusado de adoção ilegal
James Alberti
De Curitiba
O deputado estadual Edson da Silva Praczyk (PL) é o pastor da Igreja Universal do Reino de Deus acusado pela polícia de adotar ilegalmente os filhos da dona de casa Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, e do operário Natálio Firszt, de Campo Largo. A Folha obteve documentos que revelam que as crianças estão com o deputado, que é da base governista. Entre os papéis, estão os registros dos bebês feitos no Cartório de Distrital do bairro Uberaba no dia 22 de dezembro do ano passado, um dia depois deles terem sido retiradas da mãe.
Os bebês foram registrados com nomes de Moisés Tobias Praczyk e Priscilla Tobias Praczyk. Os dois teriam nascido, conforme os registros, no dia 6 de novembro de 1998 na rua José de Oliveira Franco, 1962, bairro Alto, em Curitiba. Esse é o antigo endereço da família de Praczyk. Moisés teria nascido às 4h30 e Priscilla vinte minutos depois. Nos documentos, as crianças são declaradas como filhas do deputado e da dona de casa Rosária Tobias Praczyk, 36 anos, o que configura crime de registro falso de criança, de acordo com o artigo 242 do Código Penal. A pena varia entre dois a quatro anos de prisão.
O delegado do Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert, disse que ainda investiga o caso, mas preferiu não fornecer informações. Caso deseje processar o deputado, o delegado terá de pedir licença à Assembléia Legislativa, já que Prazyck tem imunidade parlamentar. No entanto, a mulher do deputado pode ser processada, porque não conta com nenhuma imunidade.
No registros de nascimentos, assinados pela tabeliã Patricia Lazzarotto, aparece como declarante o suposto pai das crianças, que seria o deputado. As testemunhas são o relações públicas Paulo Ronaldo de Andrade, 42 anos, e o eletrotécnico Gilson Ney Ganzert, 31 anos.





