O deputado estadual Emerson Nerone (PSN) diz que vai processar o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Luiz Fernando Lara, por causa das declarações do oficial a uma rádio, qualificando o deputado de ‘‘amigo de bandidos’’. Nerone está empenhado na defesa de quatro policiais militares de Maringá, acusados de receptação de veículos. Eles negam os crimes e dizem ter sido torturados em Curitiba, em março, para confessar.
Nerone estava ontem em Aracaju (SE), participando da convenção nacional de seu partido. Ao saber que o coronel Lara reafirma a negativa de tortura, Nerone mostrou-se irritado e disse que vai recorrer à Justiça, com um processo de calúnia e difamação. ‘‘O (coronel) Lara não gosta de mim, mas isso não lhe dá o direito de me difamar no rádio’’, disse o deputado.
Os quatro policiais (Adelino Gomes de Moraes, Carlos Osmar Alves, José Berto da Silva Filho e o sargento Paulo Lucas de Lima) acusam o grupo Águia de tê-los trazido à força, algemados, para Curitiba, onde teriam sofrido tortura física e psicológica nas dependências do Comando do Policiamento do Interior.
O coronel Lara disse ontem que assim que o Inquérito Policial Militar terminar, o que deve acontecer na próxima semana, será instalada uma Comissão Disciplinar, que, dependendo das conclusões do IPM, pode decidir pela expulsão dos policiais. Lara reitera que ‘‘não houve tortura, porque isso não é prática da Polícia Militar’’ e é cauteloso ao dizer que ‘‘não faz julgamento’’ sobre o caráter dos policiais.
O deputado espera os PMs para depoimento na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia terça-feira, às 9 horas.

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