Autor da lei que instituiu a anistia, Geraldo Cartário (PSL) disse, em entrevista à Folha ontem, que sua intenção ao apresentar a proposta foi preservar o direito de propriedade dos mais pobres. ‘‘Não tem lógica uma pessoa ser multada em R$ 150 mil, quando o carro vale R$ 15 mil.’’
O deputado disse que a nova lei bate de frente com o que ele denominou de ‘‘picaretagem da indústria da multa’’. Para cartário, os órgãos de fiscalização de trânsito se valem de artifícios para multar os motoristas. ‘‘As ratoeiras estão escondidas, são armadilhas.’’
Cartário disse que a lei não incentiva a infração. ‘‘A anistia não vale para quem foi multado por crime de trânsito. Com a lei eu quis preservar o patrimônio’’, alegou o deputado, rebatendo as críticas feitas pelo desembargador Octávio Valeixo, especialista em legislação de trânsito. Valeixo classificou a medida como ‘‘politiqueira’’ e injusta para os bons motoristas. O desembargador disse ainda que a lei estadual fere o código e que a União deveria ter sido consultada antes.
O deputado defendeu o cumprimento da nova lei. ‘‘Não vai ser o diretor do Detran, assessor jurídico ou desembargador que vai nos fazer curvar. Tem que haver uma sentença dizendo que a lei não vale’’, afirmou o parlamentar, quando questionado sobre a legislação federal, que não contempla tal anistia.

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