Deputado denuncia lucro excessivo
Deputado denuncia lucro excessivo
Péricles de Mello
afirma que lucro
líquido será de
R$ 9,4 bilhões
Eliane Eme Sato
Arquivo FolhaPéricles de Mello (PT) diz que pretende questionar pedágio na JustiçaOs seis consórcios que atuam no Anel de Integração vão investir apenas 24,6% do montante que vão arrecadar durante os 24 anos de exploração do pedágio, segundo o deputado estadual Péricles Mello (PT). Ele diz que faz a denúncia baseado em dados fornecidos pelo próprio governo do Paraná. Segundo o deputado, a estimativa é que as empresas arrecadem R$ 13,4 bilhões no período em que vigorar o contrato, valor 42% maior que o total de saídas de caixa, que é de R$ 9,4 bilhões. Descontados os custos operacionais, de administração, conservação, seguros e tributos, o lucro líquido das concessionárias será de R$ 3,9 bilhões.
Isso é uma negociata para enriquecer meia dúzia de empreiteiras às custas do dinheiro do povo, diz Péricles. Ele defende que o governo do Estado gerencie a cobrança de pedágios, contratando as empreiteiras para realização de obras de melhorias nas estradas federais que foram estadualizadas com a privatização. Com isso, diz, seriam realizadas as mesmas obras, com custos mais baratos e em menor tempo. O governo entregou o controle do dinheiro sem receber nada por isso. Isso só pode ser um acordo para financiamento de campanha política, acusou Péricles.
O secretário estadual do Planejamento, Miguel Salomão, nega que os consórcios vão investir apenas 24,6% da arrecadação em melhorias das estradas. Segundo planilha elaborada pela Secretaria Estadual de Transportes, as empreiteiras, em 24 anos, vão investir R$ 10 bilhões e arrecadar R$ 13 bilhões, sendo a taxa de retorno para as empresas de 18%.
Pelos cálculos do deputado, no entanto, os consórcios vão arrecadar R$ 550 milhões por ano. Segundo ele, os investimentos iniciais de R$ 90 milhões, incluídos os custos operacionais e os impostos, previstos no contrato, serão recuperados em quatro meses, já que a arrecadação mensal com os pedágios será de R$ 46,7 milhões por mês. As empreiteiras, diz ele, não vão investir nos próximos anos nenhum recurso próprio, usando apenas o dinheiro do pedágio.
Miguel Salomão diz que a privatização das estradas e a cobrança de pedágio é irreversível porque foi feita dentro de contrato legal.





