O deputado estadual Moysés Leônidas (PDT) apresentou ontem na Assembléia Legislativa projeto de lei proibindo os trotes nas universidades e faculdades do Estado. Segundo ele, a lei surge da necessidade de coibir a violência e a agressividade de veteranos contra calouros. ‘‘Não é demagogia nem cerceamento da liberdade e sim uma forma de colaborar com a discussão sobre o fim da violência’’, argumentou.
Pela proposta, não haveria nenhuma sanção ao veterano que praticasse o trote nas universidades. ‘‘Ele será avisado que a lei proíbe o trote’’, argumenta. O deputado disse que não consultou as universidades e faculdades sobre o assunto, mas pretende colocá-lo em discussão antes de a matéria ser votada na Assembléia. Segundo ele, se aprovada, a fiscalização sobre o cumprimento da lei será de responsabilidade de reitores e diretores das instituições de ensino superior.
‘‘Eu passei pelo vestibular há muitos anos e a violência do trote está implantada. Quando chega à universidade, eufórico, essa conquista acaba mascarada por um desejo de outros alunos de botar para fora um monte de coisa e pode acabar até em morte’’, discursou.
Ele admitiu que pesou em sua decisão de apresentar o projeto a morte do calouro de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Edison Tsung-Chi Hsueh, em fevereiro no dia do trote. ‘‘No momento em que o País discute a violência, o Paraná pode colaborar’’, argumentou. Leônidas não dispõe de dados estatísticos sobre a violência do trote no Estado. ‘‘Mas salta aos olhos’’, afirmou.
Leônidas desconhecia a proposta de dois deputados federais que pretendem proibir o trote, também através de lei, mas com abrangência nacional.

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