Deputado abre ''guerra'' a delegado
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Paulo Pegoraro 
O deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PPB), de Cascavel, que apresenta programa policial no rádio, está em guerra aberta contra o delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial (SDP) Luiz Alberto Cartaxo, no cargo há apenas 15 dias. A designação de Cartaxo foi feita às pressas pela Secretaria de Segurança Pública, porque a equipe do ex-delegado Osnildo Carneiro Lemos está envolvida em denúncias na Justiça. O deputado não foi consultado sobre a substituição de Lemos, e entende que detém mando político por ser aliado do governo. Esta terra tem dono, diz o deputado. O episódio revela que, na cidade, ainda não está superado o tempo do mando e do curral político.
Ex-delegados e investigadores são processados por acobertamento à usurpação de função policial, extorsão a compristas e envolvimento no golpe 3x1 (troca de cédulas falsas de dinheiro por verdadeiras, mediante ardil). A situação tornou-se tão crítica que no dia 18 de abril (um domingo) o secretário Cândido Manoel Martins de Oliveira esteve em Cascavel, sigilosamente, para fazer as mudanças que só se tornaram públicas no dia seguinte.
Edson MazzettoO delegado Luiz Alberto CartaxoTiago de Amorim Novaes, que tinha fortes ligações com membros da equipe anterior, imediatamente se rebelou e passou a acusar Cartaxo de ter passado que não o recomenda. Em seus programas na Rádio Capital, quase sempre transmitidos de Curitiba, ele faz ataques diários ao delegado-chefe.
Em texto distribuído por sua assessoria, o deputado diz ter recebido do secretário Oliveira a promessa que, nas próximas horas, Cartaxo será recolhido a Curitiba e em seu lugar assumirá Haroldo Davison, também de Curitiba. O deputado também está utilizando o caso do detento Carlos Lambides, 33 anos, que foi liberado para deixar o Minipresídio na semana passada para viajar a Curitiba. Lambides, acusado de roubo de um trator, foi preso pela Polícia Militar na noite de domingo, quando desembarcava no Aeroporto Municipal, em vôo de linha regular.
A PM cumpriu ordem da Justiça local, alertada sobre o caso por uma pessoa que atua no rádio, segundo o delegado Cartaxo. Ele não desconsidera a hipótese de que tenha havido uma armação para enfraquecê-lo. Embora garanta que a responsabilidade pela liberação do preso - que seria de confiança - para viajar está sendo rigorosamente apurada, o delegado estranha o fato de o autor da denúncia ter informações detalhadas sobre o retorno do preso da Capital.
Luiz Alberto Cartaxo prefere não responder aos ataques, seguindo orientação superior. Tiago de Amorim Novaes também está empenhado na substituição do comandante da Companhia da Polícia Militar Rodoviária, capitão José Carlos Augusto Pinto, e na indicação de um assessor seu para a chefia da Ciretran. O atual chefe, João Carlos Bertolucci, que foi indicado pelo partido PFL, acusa o parlamentar de querer assumir o mando sobre um tripé na área de segurança pública.


