A deputada federal Marta Suplicy (PT), de São Paulo, entregou ontem ao ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, documento com quatro reivindicações para apoiar trabalhadores brasileiros que estão no Japão, na condição de dekasseguis. O encontro da deputada com o ministro foi no Itamaraty, em Brasília, com a participação também do embaixador do Brasil no Japão, Fernando Reis, do diretor-geral de Assuntos Consulares e de Assistência aos Brasileiros no Exterior, Lúcio Amorim, do presidente do Centro de Apoio aos Trabalhadores no Exterior, Massato Ninomiya, e do presidente da Associação de Apoio aos Dekasseguis, vereador Rui Hara, de Curitiba.
Segundo Marta Suplicy, a reunião apresentou resultado positivo, na medida em que as reivindicações apresentadas mereceram atenção do Itamarati. ‘‘Além disso, o ministro Luiz Felipe Lampreia anunciou que em novembro irá ao Japão, onde mantém relação de cordialidade com o novo primeiro-ministro, Keizo Obuchi. Os participantes também foram informados que o Banco do Brasil deve iniciar em breve o censo dos dekasseguis no Japão, pois até o momento não temos números oficiais sobre os trabalhadores brasileiros que estão enfrentando dificuldades’’, disse a deputada à Folha, em depoimento por telefone.
Uma das reinvidicações é sobre o dekassegui médico. De acordo com o documento, mesmo tendo se formado no Japão, o brasileiro é impedido de exercer a profissão e atender os próprios dekasseguis. ‘‘Neste sentido, o Itamaraty poderia firmar convênio com o governo japonês, para que os médicos brasileiros pudessem atuar’’. A promessa de Lampreia foi de iniciar negociações com o governo japonês, embora o tema seja considerado de difícil solução.
Arquivo FolhaPreocupadaDeputada Marta Suplicy, do PT paulista: repatriamento oficializadoA deputada pediu também que o Itamaraty formalize acordo com o Ministério da Justiça do Japão, criando meios de facilitar aos familiares informações sobre local e situação de dekasseguis no Japão. Esse mecanismo, segundo a deputada, é possível devido a lei japonesa obrigando notificação de mudança de endereço ao governo.
Em relação aos desempregados, a reivindicação foi de que o Itamaraty intermedie o retorno de brasileiros, atualmente feito por uma entidade não-governamental. O documento estima em cerca de 7.500 o número de dekasseguis que estão sem emprego no Japão atualmente. Mas, segundo a assessoria de comunicação do Itamaraty, a maioria das pessoas em situação de dificuldade procura resolver o problema individualmente ou com a ajuda de familiares que estão no Brasil. Alguns buscam meios de sobrevivência na atividade informal, segundo a assessoria.
O documento entregue ao ministro pede também que a embaixada e os consulados brasileiros no Japão reforcem as ações de coordenação entre as diversas entidades de apoio aos dekasseguis.
Ainda em Brasília, o presidente da Associação de Apoio aos Dekasseguis, vereador Rui Hara, disse que o governo brasileiro está desenvolvendo ações para ajudar brasileiros que enfrentam dificuldades no Japão. Leia amanhã: Dunga, jogador e membro de conselho de cidadãos.

mockup