Depressão é descartada e menor confessa assassinato Paulo Pegoraro De Cascavel A Delegacia do Menor e do Adolescente de Cascavel concluiu e enviou ontem ao Fórum o inquérito sobre o assassinato de uma menina de 9 anos, e tentativa de assassinato de seu irmão, de 12 anos, enteados da também menor S.S., de 17 anos, agora definitivamente responsabilizada pelos crimes que praticou no dia 14 de fevereiro. Ao ser apreendida, S.S. havia admitido a autoria, mas transferiu-a depois a um homem, que não identificou. A Polícia chegou a investigar esta hipótese. Também uma vizinha de S.S. disse ter visto um homem deixando o matagal onde o corpo da menina foi encontrado, no bairro Paulo Godoy, zona oeste da cidade. A adolescente vive com o mecânico Dirceu Saibro, 30 anos, e é mãe de um bebê com 38 dias de vida. Dirceu havia sido casado com outra mulher, união da qual nasceram Katlen Antunes de Saibro e J.S., que há um ano passaram a morar com o pai e S.S. As duas crianças foram levadas para pontos distintos de um matagal pela madrasta, que desferiu um tiro na cabeça da menina, e depois outro no braço de J.S., que conseguiu fugir. Inicialmente, a adolescente acusou a mãe das crianças de tê-la induzido aos crimes, sob ameaças diversas, e de ter-lhe fornecido a arma, um revólver 32, que jogou no matagal e até a tarde de ontem não havia sido encontrado. A Polícia chegou a considerar a hipótese de a menor estar afetada pelo ‘‘estado puerperal’’, que provoca perturbações mentais em algumas mulheres até um mês após o parto, mas especialistas que examinaram S.S. descartaram a hipótese. Na tarde de anteontem, ela confessou a autoria ao delegado Donizete Botelho. A adolescente contou ter convencido uma mulher a vender-lhe o revólver (por R$ 150,00) com a desculpa que marginais circulavam nas proximidades de sua casa. Inicialmente, pretendia matar a mãe de seus enteados, imaginando que ela ainda tivesse relacionamento com o ex-marido, mas acabou voltando sua agressividade contra as crianças. S.S. disse que disparou contra Katlen com o revólver encostado em sua cabeça. J.S. possivelmente tenha se salvado, porque, ao ouvir o estampido, correu, sendo atingido apenas no braço. S.S. tem problemas de visão e nenhuma habilidade em tiro. Até agora, a Polícia só encontrou o coldre do revólver que S.S. diz ter jogado no matagal. É possível que ainda hoje ela seja levada ao local do crime para que ajude a localizar a arma. Ela permanece na Delegacia do Menor e do Adolescente, até que a Justiça decida sua situação. Um policial revelou à Folha que S.S. tem demonstrado ‘‘muita frieza’’. Seu filho é levado diariamente à delegacia para ser amamentado.

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