Curitiba - Aproximadamente 1,2 mil motoristas e cobradores de ônibus de Curitiba estão afastados do trabalho por problemas de saúde. Desse total, 70% tratam de depressão. Esse é o dado divulgado pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba (Sindimoc). O sindicato contabiliza que 12% dos trabalhadores do setor estão encostados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
''Tem motorista de 25 anos de idade que já está afastado por conta da depressão'', conta o diretor do Sindimoc, Valdecir Bolete. Os principais motivos são o estresse no trânsito, problemas com a família, filhos envolvidos com drogas e o horário que envolve a jornada de trabalho. São seis horas por dia, e pagam multa caso atrasem o horário de chegar no ponto. Se partem antes da hora para dar conta do trajeto, também são multados. O sindicato pede que o tempo para percorrer a rota seja maior, mas a Urbanização de Curitiba (URBS) não teria autorizado a prática.
Os funcionários do setor também pedem que sejam colocados cartazes nos ônibus, com o intuito de instruir a população a ser cordial com o motorista. ''Muitas vezes, ele tem de frear por conta do erro de outro motorista no trânsito e é xingado pelos passageiros'', diz o diretor do Sindimoc. A postura inadequada e o trabalho repetitivo também geram casos de invalidez. O piso salarial da categoria é estipulado em R$ 1.180,00, com aumento de 2% ao ano. São 10,7 mil motoristas e cobradores em Curitiba e Região Metropolitana.
Os frequentes assaltos também estressam. ''Hoje, os tubos e os ônibus são como caixas eletrônicos. Os bandidos chegam e pegam o dinheiro'', desabafa Bolete. O sindicato tem discutido com o Ministério Público do Trabalho melhores condições de trabalho.
O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Londrina (Sinttrol) destaca a síndrome do pânico, a ansiedade e a depressão como as principais causas de afastamento do trabalho. Segundo o presidente do sindicato, João Batista da Silva, a mecanização do serviço sobrecarregou o motorista. ''Como ocorre em outras cidades do Brasil, as empresas de transporte de Londrina querem abolir o trabalho do cobrador. Assim, o motorista deve dirigir, fechar as portas e cobrar a passagem, além de cumprir com rigor a tabela de horários'', explica.
Em Maringá, o motorista também cobra a passagem e em Curitiba algumas linhas operam dessa maneira. ''Os empresários não podem jogar o prejuízo do rendimento nas costas do trabalhador'', reclama Silva. Aproximadamente 50% do valor da passagem é usado para cobrir os salários dos funcionários.

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