Depósitos são moradia para catadores de papel
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segunda-feira, 20 de junho de 2005
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de 1.500 pessoas moram em condições precárias em depósitos na Vila das Torres, em Curitiba. Catadores de papel e suas famílias residem em estruturas frágeis, pequenas e sem condições de higiene. O assunto seria discutido numa reunião no início da noite de ontem, no Colégio Estadual Hidelbrando de Araújo. O encontro, promovido pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT/PR) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), teria a presença de representantes da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) e da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).
''Os catadores e suas famílias vivem em condições desumanas e ainda têm que pagar aluguel de até R$ 50 por semana. É necessário encontrar uma saída. Sabemos que o governo federal tem linhas de crédito em habitação para moradores de áreas de risco'', disse o delegado regional do trabalho, Geraldo Serathiuk.
Entre os dias 28 de fevereiro e 3 de março, o governo estadual promoveu uma grande operação policial na Vila das Torres. Nesse período, 37 pessoas foram presas e 3.726 foram revistadas. 893 veículos passaram por verificação policial. Segundo Serathiuk, desde então vários programas sociais dos governos federal, estadual e municipal estão sendo aplicados no bairro.
''Foram oferecidas bolsas de estudo para filhos de catadores de papel, o programa Leite das Crianças foi levado à Vila das Torres, cursos profissionalizantes foram disponibilizados, entre outras medidas. Mas o problema da moradia persiste'', afirmou o delegado regional.
Na Vila das Torres, a reportagem da Folha entrevistou moradores de um depósito do tamanho de um quintal de uma casa de classe média. Neste espaço reduzido, residem três homens solteiros (um deles com filho) e a família da dona-de-casa Maria Dirce Oliveira. ''Moro com meu marido, que é catador de papel, e minha filha de cinco anos. A gente tira por mês uns R$ 150. O aluguel pesa. Se sobrasse um dinheirinho, eu poderia comprar mais roupinhas pra minha menina'', relatou ela.
''Minha filha perdeu a vaga na creche. Eu fiquei doente e mudamos para uma casa da qual eu era proprietária e depois vendi. Quando voltamos, há alguns meses, não tinha mais vaga para a menina'', disse Maria Dirce. Róbson Rodrigues, 12 anos, filho do catador Sérgio, não está estudando.
''Não tinha vaga na escola. Mas agora uma amiga do meu pai vai dar uma força e eu vou voltar às aulas'', explicou o garoto. Róbson e o pai moram num quarto apertado, onde a cama fica espremida entre outros objetos. ''Mas não tenho que pagar aluguel. Trabalho para o dono do depósito e ele me deixa ficar aqui'', contou Sérgio. Ele e Maria Dirce negaram que suas vidas tenham melhorado após a operação policial. ''Para mim não mudou nada'', desabafou Maria Dirce.


