Depósitos de agrotóxicos são demolidos
Silvana Leão
De Londrina
Os entulhos resultantes da demolição dos dois barracões que serviram como depósito de agrotóxicos em Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina) devem começar a ser transportados hoje para o Rio de Janeiro. A carga será levada a granel dentro de caminhões caçamba, para depois ser embalada e incinerada na sede da Bayer em Belfort Roxo (Região Metropolitana do Rio).
A demolição dos barracões, que começou ontem, faz parte de um trabalho de descontaminação do local, que teve início em outubro de 98. Foram retiradas 844 toneladas de agrotóxicos e levadas para a Bayer, onde foram incineradas. Os defensivos estavam estocados desde 1987, no local onde seria instalada a Colônia Penal Agrícola. Análises realizadas pela Bayer e pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) constataram que os barracões estavam contaminados.
Uma audiência realizada em junho do ano passado na Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, com representantes da empresa e do governo do Estado, definiu que a Bayer iria demolir e incinerar paredes, pisos e cobertura do barracão. Os trabalhos seriam iniciados anteontem, mas tiveram que ser suspensos por causa de um grande enxame de abelhas no local.
Um apicultor da região foi chamado para resolver o problema e ontem funcionários da W.P.A., empreiteira contratada pela Bayer, iniciaram a demolição com uma pá-carregadeira. Os serviços estão sendo pagos com recursos que sobraram do contrato mantido entre o governo do Estado e o Sindicato Nacional da Indústria de Defensivos Agrícolas (Sindag) para fazer a retirada dos agrotóxicos. O contrato previa 1.200 toneladas de produtos e só havia 840 toneladas.
Ainda não sabemos quanto de entulhos será retirado do local, mas se as viagens passarem das 360 toneladas que o governo tem como crédito, será feito um aditivo no contrato, informou Hélio Brás Ferreira, secretário de Meio Ambiente de Tamarana. Segundo ele, a expectativa é que os trabalhos terminem no máximo em 30 dias. Em abril o IAP deverá fazer nova análise no local, para saber se ainda há resquícios de contaminação.
Um dos engenheiros da W.P.A. que acompanham a operação em Tamarana, Paulo Fernandes, informou que a empresa espera transportar um caminhão de entulhos por dia. Cada um deles carrega em média 25 toneladas. Estamos calculando em torno de 500 toneladas de entulhos para serem transportadas, o que levaria 20 dias de trabalho, disse Fernandes.
Os funcionários da empresa que trabalham no local estão usando máscaras de proteção, já que o cheiro dos venenos ainda é muito forte. Por 11 anos os barracões abrigaram várias marcas de agrotóxicos, alguns já retirados do mercado brasileiro, como BHC, Aldrin e DDT.
Segundo o prefeito de Tamarana, Edson Siena, o governo de Estado ainda não definiu o destino que será dado à área que abrigaria a Colônia Penal. Há boatos de que a intenção seria aproveitar os pavilhões já construídos para instalar uma penitenciária, mas se isto for confirmado, a população vai ser totalmente contra, afirmou Siena.Entulhos de dois barracões da área que abrigaria Colônia Penal de Tamarana serão incinerados; destino do local não está definido
Josoé de CarvalhoJosoé de CarvalhoDESCONTAMINAÇÃOOs barracões que guardaram agrotóxicos, durante 11 anos, começaram a ser demolidos ontem. A partir de hoje os entulhos serão transportados para o Rio de Janeiro, onde serão incinerados pela Bayer





