Depósito da Receita Federal é arrombado
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quarta-feira, 08 de agosto de 2001
Marcos Zanatta<BR>De Maringá 
A Polícia Federal está investigando o furto de pelo menos duas carretas de mercadorias contrabandeadas apreendidas na região de Maringá que estavam no depósito da Receita Federal, na Zona 7, próximo ao centro da cidade. O furto foi descoberto na última segunda-feira por funcionários que notaram a falta de caixas no armazém. Os autores podem ter trabalhado durante alguns dias para alcançar o interior do depósito a partir de um túnel, cavado de uma transportadora ao lado do armazém da receita.
O túnel com mais de dois metros de diâmetro por sete de extensão foi cavado a partir da sala da transportadora, locada por pessoas desconhecidas com nomes falsos. O túnel dava acesso ao piso no interior do depósito, e apesar do local ser vigiado sem intervalo e contar com sistema de alarme, os ladrões não tiveram problemas. O delegado Beno Loewenstein, da Polícia Federal, contou que para chegar ao armazém os ladrões usaram ferramentos pesadas, como um rompedor de concreto. Foi coisa de profissional, afirmou.
Ele acredita que pelo menos 15 homens trabalharam na escavação do túnel e no transporte da mercadoria. Ao ter acesso ao barracão, os ladrões conseguiram desligar o sistema de alarme, e apesar do movimento que a operação deve ter provocado, não chamou a atenção de ninguém porque no local funcionava uma transportadora. Na segunda-feira, depois do furto ser confirmado, não existia mais ninguém no prédio vizinho ao armazém.
Os guardas, que ficam em uma guarita no portão de entrada, distante a pelo menos 50 metros do barracão, alegam que não ouviram nenhum movimento estranho. O que facilitou o trabalho de retirada das mercadorias do local por veículos pesados, foi também o fato do prédio locado ter uma entrada pelos fundos, que sai sobre o túnel ferroviário do novo centro. A área é utilizada quase que exclusivamente por empresas instaladas na região.
Agentes da polícia e da receita estão agora levantando a mercadoria existente no barracão para cruzar os processos de apreensão que ainda tramitam. O delegado não quis arriscar valores, mas uma fonte informou à Folha que os ladrões podem ter levado mais de R$ 5 milhões em mercadorias. O delegado da Receita Federal em Maringá, Décio Rui Pialarisse não estava ontem na cidade, e apenas um assessor dele, identificado como Marcos poderia falar sobre o assunto, mas não retornou as ligações.
O armazém guarda todo tipo de contrabando apreendido na região, de cigarro a equipamentos de informática. Nos últimos anos a delegacia da receita em Maringá tem feito doações a entidades sociais e leilões para solucionar o problema de superlotação do armazém. No ano passado, última vez que a imprensa teve acesso ao local durante o repasse de mercadorias para o Provopar, a receita havia improvisado conteinêres para colocar produtos apreendidos.


