Depósito clandestino dificulta combate
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2002
Chiara PapaliReportagem Local 
O problema de pneus acumulados em terrenos públicos, fundos de vale e mesmo em empresas privadas, em Londrina, e a consequente proliferação do mosquito da dengue ainda estão longe de serem solucionados. Ontem, a Folha denunciou vários locais onde os pneus se acumulam, como o parque infantil do Zerão, e o risco deles servirem como criadouros do Aedes aegypti.
O supervisor do Setor de Controle de Endemias da Secretária Municipal de Saúde, Elson Belisário, confirmou o problema, mas garante que os pneus abandonados não são a principal causa para infestação do mosquito na cidade. De acordo com ele, em janeiro, de cada 100 focos, 44 foram em quintais, por causa de garrafas, latas e plásticos, 25 em vasos, e cerca de oito em pneus.
Mesmo assim, Belisário alerta para a dificuldade de combater o mosquito em depósitos clandestinos. Dependemos de denúncias da população para descobrir terrenos ou fundos de vale onde foram depositados pneus. O ideal seria um local, disponibilizado pela prefeitura, para armazená-los, disse. De acordo com Belisário, 450 pontos em Londrina, entre depósitos de construção, oficinas mecânicas, ferros-velhos, cemitérios, autódromo e kartódromo, recebem aplicação de veneno a cada 15 dias. O veneno mata o mosquito, que tem ciclo de vida de oito a 12 dias, no estágio adulto. Em Londrina são 130 casos suspeitos de dengue e quatro confirmados.
De acordo com o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, a prefeitura não tem capacidade para recolher os pneus acumulados em terrenos. Não sabemos o número de pneus, mas sabemos que é uma grande quantidade. Em março, vamos retomar contato com a Petrobras e empresas do setor, para buscar parceria na reciclagem de pneus. Uma resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) responsabiliza o produtor do pneu pelo seu destino final e propõe metas de reciclagem, disse.


