Apenas 12 quilômetros, por rodovia, separam as cidades de Jundiaí do Sul e Ribeirão do Pinhal, que têm vários aspectos em comum: origens no latifúndio, a situação de ambas em cima do Aquífero Guarani e a criação dos dois municípios por uma só lei, em dezembro de 1947. Aos 59 anos de emancipação política, o grande contraste é que Jundiaí não possui um palmo sequer de esgoto, enquanto a rede coletora em Ribeirão corresponde a 50,39% das 3.300 ligações de água.
A 97 quilômetros de Jacarezinho, Norte Pioneiro, no lugar que já foi conhecido apenas por ''Sertão do Laranjinha'', o melhor indicativo de Ribeirão do Pinhal é o saneamento e o maior objetivo, a industrialização, segundo o prefeito, Moacir Lataliza (PMDB).
Observa-se que a rede de esgoto evoluiu bastante desde 1982, quando existiam apenas 292 ligações (um terço da necessidade à época) e uma grande parcela dos moradores não tinha alternativa, porque ao abrir fossas encontravam água a pouca profundidade, supostamente do Aquífero. A isso se somava o esgoto sem tratamento, despejado em dois córregos na zona urbana.
Ribeirão do Pinhal é abastecida por dois poços no Aquífero Guarani, informa a Sanepar. Para ampliar a rede de esgoto em 2007, já estão reservados R$ 158 mil. Segundo ainda a empresa, a tarifa social abrange 1.200 ligações, permitindo aos consumidores de baixa renda pagar menos.
O Aquífero Guarani é protegido por uma rocha basáltica que fica mais próxima da superfície em determinadas regiões; mas a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também já constatou a ausência dela em vários lugares, inclusive no interior paranaense. Nestes casos, é a camada de arenito do Aquífero (absorvedora de água) que desponta, sujeitando-o à contaminação.
Com 14,3 mil habitantes, dos quais 10,6 mil urbanos, Ribeirão do Pinhal perdeu 3.03% da população no período 1991-2000, segundo o IBGE. Falta emprego e até as pessoas mais simples proclamam a solução: indústria. ''Todo prefeito que entra, diz que vai trazer indústria. Mas só diz, não traz'', comenta Sebastião Ribeiro da Silva, que acaba de sair de uma rodada de truco numa das oito mesas do ''ranchão'', a área coberta na praça principal. Construído em 1996, o ''ranchão'' é frequentado por aposentados e desempregados, que passam horas e horas jogando baralho.
Ao clamor no ''ranchão'', o prefeito Moacir Lataliza responde que tem plano para iniciar o ramo de confecções na cidade, com a construção de dois barracões. Ele administra orçamento de R$ 8 milhões, 51% comprometidos com a folha de pagamento do funcionalismo.
Em 1970, o Município tinha 20 mil habitantes, que diminuíram gradativamente com a erradicação do café depois da geada de 1975.

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