Aprender sobre o Velho Testamento nunca é demais. Pode-se, inclusive, descobrir que há muito mais semelhanças entre o cristianismo e o judaísmo do que se imagina; afinal, a religião cristã nasceu a partir dos preceitos judaicos. ''Jesus era judeu'', relembra o arquiteto Sergio Rugik Gomes, de Londrina.
Foi numa busca cultural e religiosa que ele começou a estudar hebraico há cerca de um ano. Evangélico, ele descobriu muitos pontos em comum entre as religiões, ''principalmente o fato de ambas proclamarem o Velho Testamento'', diz. Não foi necessário converter-se para comemorar, à moda judaica, o Ano Novo, o Dia do Perdão, nem a Festa dos Tabernáculos - festejos judaicos que ocorrem nessa época do ano.
Ensinado pela professora Eliete Silva Pereira das Neves, da escola de hebraico Beit Sefer Shel Ivrit, de Londrina, Sergio Gomes comemorou a chegada do ano 5767, pediu perdão pelos pecados durante o Yom Kipur e, esta semana, comeu e dormiu debaixo de uma cabana montada dentro de casa, ''para celebrar os 40 dias da peregrinação dos judeus no deserto'', conta.
Chamada de Sucot em hebraico, a Festa dos Tabernáculos, explica Eliete, ocorre no período das chuvas no Oriente Médio - entre setembro e outubro do calendário ocidental -, ''quando a terra está pronta para o plantio''. Quem não tem quintal, monta a barraca, que representa a tenda do peregrino, na sacada do prédio ou até mesmo dentro de casa. ''É na cabana onde são feitas as refeições em família'', ressalta a professora.
Em Londrina, a comunidade judaica é inexpressiva, mas em Rolândia, cerca de 80 judeus se reúnem durante quase duas semanas de festa para celebrar. ''Por falta de uma sinagoga muitos judeus deixaram de praticar a religião como se deve'', lamenta Eliete. A única sinagoga do Estado fica em Curitiba.
Segundo ela, a escola de hebraico, que já funciona em Londrina há 11 anos, conta hoje com 20 alunos, 65% deles descendentes de judeus. Muitos procuram a professora em busca de conhecimentos sobre a cultura hebraica, outros são estudantes de teologia que querem aprender mais sobre o antigo testamento.
As aulas de língua, história, geografia e costumes de Israel são um estímulo para os alunos retomarem a celebração das festas judaicas, ''um tanto esquecidas pela comunidade'', segundo Eliete. ''Não dá para aprender a língua sem conhecer a cultura, elas estão interligadas'', assinala a professora.
Nascida em Pelotas (RS), ela passou quatro anos em Israel onde aprendeu tudo sobre a cultura dos antepassados. Ao voltar para o Brasil, resolveu passar o conhecimento adiante. ''Lá a vida é preservada, apesar de se mostrar o contrário. Você é tratado pelo que é e não pelo que veste''.

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