Às segundas-feiras o cenário é sempre o mesmo: sacos e copos plásticos, restos de alimentos, bitucas de cigarros, latas e garrafas sujam a paisagem verde das margens e proximidades da barragem do Lago Igapó (Zona Sul), um dos cartões postais da cidade e opção de lazer para o londrinense. O material é deixado pelas pessoas que se reúnem, em especial aos domingos, para se divertir ao ar livre. E o que poderia ser somente uma tarde de lazer, resulta em algumas irregularidades ambientais que acabam se tornando comuns no cotidiano do município.
''Todo começo de semana é a mesma coisa: lixo e mais lixo espalhado'', reclama Silvia Novaes dos Santos, que se exercita diariamente na pista de caminhada do Igapó. A colega de ginástica, Maria Tereza Navarro, acrescenta: ''E essa sujeira fica até quarta-feira. A empresa não limpa tudo na segunda-feira. Uma vez ficou um cachorro morto por um tempão e depois foi um cavalo''. A amiga, Madalena Maria Ellwein, tenta achar justificativa: ''Esse lixo pequeno fica porque não tem mais lixeira. Antes tinha''.
Segundo o diretor de Operações da Companhia Municpal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Fábio Reali, faltam cestos de lixo porque os que existiam no local foram depredados ou furtados. ''E não é só isso que acontece lá. A grama está toda marcada porque as pessoas estacionam os carros em cima'', destaca. Todo começo de semana são retirados do local cerca de 100 sacos de cem litros repletos de lixo. Nos outros dias, o comum é recolher uma média de 35 sacos.
''Eu só não sei o que fazer. Por que consciência ambiental eu acho que todo mundo já tem. Talvez precisaria ter fiscais multando'', sugere Maria Tereza, que também é moradora da região. Para Madalena Ellwein, a solução é instalar lixeiras e cartazes educativos. ''De repente a gente deveria fundar uma ONG para conscientizar essas pessoas'', reflete. A amiga rebate: ''Ou então, nós mesmas deveríamos falar com essas pessoas. Perguntar se elas encontram o lugar sujo no domingo, porque nós que andamos todos os dias aqui não deixamos nada para trás''.
Para Reali, a proposta de fiscais circularem pelo local pode ser interessante apenas pelo fato de que poderia inibir a ação das pessoas. ''Porque multar não tem como. São pessoas físicas, não tem placa''. brincou. Ele explica que, em aproximadamente 20 dias, a CMTU deve fazer algumas modificações arquitetônicas para impedir o estacionamento dos carros e instalar lixeiras. ''Vamos também fazer um trabalho com os vendedores ambulantes, porque a responsabilidade do lixo é de quem gera, então para continuarem ali eles vão precisar conversar e conscientizar os clientes deles''.

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