Depois do incêndio, o drama do entulho
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terça-feira, 07 de outubro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Moradores da Vila Fraternidade (Zona Leste) passaram a tarde de ontem enchendo caminhonetes com entulhos do que sobrou da casa de número 113, da Rua Santa Rita, incendiada no final da manhã. Até o final do dia eles não haviam conseguido despejar o lixo em lugar algum pois ninguém tinha dinheiro para pagar o descarte na empresa Kurica Ambiental, onde é cobrada uma taxa de R$ 40 reais. A casa do número 102, na mesma rua, foi incendiada há cerca de 20 dias e até hoje o entulho permanece no local porque a família também não tem condições de pagar para descartar o lixo.
''Liguei na CMTU e me falaram que não dá pra levar no aterro. Daí me falaram para levar na Kurica. Então eu liguei lá e expliquei a situação, que a gente não tem como pagar, mesmo assim não deu. Vou deixar o entulho aqui no meu caminhão não sei até quando, não sei o que vamos fazer'', lamentou o morador Cícero Alencar de Oliveira, dono de um dos veículos.
Cícero é vizinho de Cristino Ferreira de Oliveira, 58 anos, motorista de uma vidraçaria que teve a casa incendiada ontem. A causa do incêndio ainda é desconhecida e apesar de ninguém ter se ferido, parte da casa de alvenaria ficou completamente destruída. ''Queimou tudo o que tinha no meu quarto. Perdi minhas roupas, móveis, tudo. Até os remédios que a minha mulher toma para depressão foram queimados. Graças a Deus a gente tem os vizinhos amigos para nos ajudar a limpar o entulho mas não temos como pagar uma caçamba pra levar o lixo'', comenta.
Desde janeiro, todo londrinense que precisar descartar resíduo de construção civil precisa contratar um caçambeiro para fazer o descarte na Kurica Ambiental (Zona Sul). Anteriormente, o aterro do Limoeiro (Zona Leste) recebia entulho de pequenos geradores, no limite de um metro cúbico por dia.
O diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Marcelo Barreto, confirmou que o procedimento realmente é este e que o órgão não pode liberar o acesso ao aterro para esse tipo de lixo. ''Foi determinação da Promotoria do Meio Ambiente e por isso não podemos mais receber entulhos lá. Quem tiver esse tipo de lixo precisa contratar uma empresa de caçamba para fazer o despejo. Até que alguma outra medida seja tomada, o aterro só recebe o lixo da coleta domiciliar do município'', informou Barreto.


