Sem o filtro da polícia, fica mais fácil ver os dramas por trás do massacre de Guaíra. Ele começou a se desenhar pelo menos um mês antes, em 20 de agosto. Dirceuzinho, o pai das duas alunas do Zeballos, foi assassinado. Ele havia voltado naquele dia de uma viagem a São Paulo, onde entregara uma carga de drogas avaliada em R$ 19 mil. Jossimar Marques Soares, 41 anos, o Polaco, dono da chácara onde ocorreria o massacre, havia fornecido a droga a Dirceuzinho, que não pagou.
Dono de um boteco chamado Big Brother, colado ao muro do Colégio Zeballos, uma das oito bocas-de-fumo investigadas pela Polícia Federal na cidade, Dirceuzinho e Polaco eram parceiros. O elo foi rompido naquela noite, quando a vítima recebeu um telefonema de Manoel Pascoal da Silva, o Nel, de 28 anos, parceiro de Polaco, que o chamava para conversar. Nel e um comparsa, Nelsinho, armaram uma tocaia para Dirceuzinho, que morreu com seis tiros.
No período entre esse assassinato e o massacre, a Polícia Civil pouco fez. Com 8 funcionários e 211 presos na cela dos fundos da delegacia - feita para 50 -, não sobra tempo para as investigações. O padrasto de Dirceuzinho, Jair Corrêa, que um mês depois comandaria a chacina, testemunhou na polícia, dizendo quem eram os autores do crime. Mas eles continuaram soltos.
Coube a Jair tocar o plano de vingança, que começou a desenhar no velório do enteado. Ali disse a alguns que mataria toda a família de Polaco, mandante do crime. Era conhecido como um homem violento, que já havia trabalhado como segurança para Roque da Silveira, nascido em Guaíra, filho do ex-prefeito da cidade, Osvaldino da Silveira, que se tornou um dos principais fabricantes dos cigarros paraguaios contrabandeados para o Brasil. Segundo vizinhos, na noite em que Dirceuzinho morreu, Jair chegou a fotografar o corpo do enteado para manter a raiva acesa. Na última segunda-feira, mais de um mês depois, a vingança aconteceu. (B.P.M./A.E.)

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