Depois de chacinas, São José pede mais policiais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Com quase 300 mil habitantes, a cidade de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) conta com um efetivo de apenas 70 policiais militares. Para o secretário de Segurança do município, Ariovaldo de Gouveia Sobrinho, esse total é insuficiente. "Há uma escassez de policiais em toda a região metropolitana", critica. A reivindicação do secretário é a mesma do Conselho Comunitário de Segurança do município, que se reuniu na noite da última terça-feira, para debater a situação da cidade depois que duas chacinas foram registradas na região.
"Vamos protocolar na Secretaria de Estado de Segurança Pública na semana que vem um documento solicitando mais policiais para a cidade", adianta Jaiderson Rivarola, presidente do conselho. "A Delegacia da Mulher e do Adolescente, por exemplo, tem só um delegado, um escrivão e um agente para atender as ocorrências da cidade", explica Rivarola. A ampliação dessa estrutura seria fundamental para investigar a participação de adolescentes no tráfico de drogas local, diz.
A titular da Delegacia da Mulher e do Adolescente, Darly Rafael, confirma a situação, mas afirma que a equipe está "se desdobrando para atender a demanda do município". Para o secretário Gouveia, a reivindicação já é antiga. "No início do ano, o secretário (Luiz Fernando Delazari) havia prometido um estudo sobre a região metropolitana, mas desde então não se tem falado mais no assunto", aponta. A Secretaria de Segurança foi contatada pela Reportagem, mas não comentou a questão.
Campanha
"Vamos fazer uma campanha de mobilização na cidade", adianta o presidente do conselho. Segundo Rivarola, serão produzidos imãs de geladeira com telefones úteis para estimular a população a denunciar crimes.
Em São José dos Pinhais, oito pessoas foram mortas num intervalo de 17 dias. No dia 16 de setembro, quatro pessoas foram assassinadas no Jardim Alvorada, entre elas uma adolescente de 16 anos grávida de três meses. No dia 3 de outubro, mais quatro pessoas foram mortas com tiros na cabeça no Jardim Independência. Entre as vítimas estava uma criança de 11 anos. A polícia ainda investiga os dois crimes.


