Depois de anestesiar paciente, hospital suspende cirurgia
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quarta-feira, 03 de outubro de 2001
Rosana Félix<br> De Curitiba 
A Promotoria Pública de Matinhos está movendo ação penal contra o Hospital e Maternidade Pinhais pela interrupção da cirurgia do pintor Valdecir Florentino, na quarta-feira da semana passada. De acordo com Florentino, ele já havia sido anestesiado, mas a direção do hospital cancelou o procedimento alegando falta de autorização da empresa de plano de saúde.
Florentino, morador de Caiobá, Litoral do Estado, estava sendo atendido pelo cirurgião plástico Marcelo Ricardo Santos. ''Ele me disse que iria tomar todas as medidas necessárias e eu achei que estava tudo certo, porque quando cheguei no hospital a ficha de internamento estava pronta'', afirmou. Ele relatou que entrou no centro cirúrgico por volta das 8 horas e ficou anestesiado até as 13 horas. Logo depois soube que a operação, para retirada de glândulas do nariz, não ocorreu. ''Foi muito desumano do hospital me deixar anestesiado, jogado no centro cirúrgico. Se eu soubesse que faltava algo iria atrás e não teria corrido esse risco'', declarou.
O médico que atendeu Florentino também foi acusado pela Promotoria. O Conselho Regional de Medicina (CRM) vai abrir sindicância nos próximos dias para verificar a responsabilidade do cirurgião no caso. ''Ainda não tenho detalhes, mas se for verdadeiro o que o paciente contou, é eticamente reprovável impedir cirurgia por problema burocrático'', avaliou o presidente do CRM, Luiz Salim Emed. O cirurgião foi procurado pela reportagem mas não respondeu às ligações.
A administração do hospital nega que tenha interrompido a cirurgia. De acordo com Cláudio Trezub, diretor clínico, o paciente estava em procedimento pré-anestésico. Ele garante que o pintor não recebeu anestesia geral. ''Ao chegar no hospital, foi informado que a documentação não estava de acordo. Enquanto se cuidava disso, o paciente foi levado ao centro cirúrgico, mas não ficou nem uma hora lá'', afirmou.


