O vendedor Neri Valdrigues de Camargo, 36 anos, é acusado de ter dado golpes em Curitiba que podem chegar a R$ 200 mil. Apelidado pelos policiais como o ‘‘estelionatário das mil faces’’, Neri foi apresentado ontem à tarde na Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas.
De acordo com o delegado Hamilton Cordeiro da Paz Júnior, Neri usava nomes falsos. O vendedor comprava carros de particulares com cheques furtados e depois lesava quem adquiria os veículos. Na capital e Região Metropolitana, Neri é apontado pela polícia como o responsável direto por 50 casos de estelionato.
Para dar credibilidade aos golpes, Neri usava nomes de empresas como Bosch, Votorantin e outras firmas da Cidade Industrial. Ele dizia que os cheques oferecidos na compra dos automóveis eram resultado de rescisões trabalhistas destas empresas.
O vendedor agia junto com mais dois homens: Aílton João Antunes de Matos e o primo João Valdecir de Matos, que também se passa por Marcelo. Os dois estão sendo procurados pela polícia. Hamilton da Paz informou que os cheques eram conseguidos de batedores de carteira.
Segundo a polícia, a relação de nomes falsos usados por Neri pode ser extensa. Ele já se passou por José Luiz Plocharski, Aroldo de Paula, Mario Miranda, Jovelino Valdrigues, Idalino Valdrigues e Milton de Oliveira.
O vendedor já havia sido preso em 98, em Rio Negro, quando usou o nome do irmão, Jovelino Valdrigues, em um caso de estelionato.
Descontraído e aos risos, Neri confirmou que a lista de vítimas não é pequena. ‘‘Dá para dar uns 25 ou 30 anos de cadeia’’, disse. Neri foi preso na sexta-feira passada, quando abastecia mais um carro adquirido através de cheques furtados. Uma das vítimas, que passava pelo local, o reconheceu.

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