Depois de 19 horas, sequestro acaba bem
Israel Reinstein
De Bocaiúva do Sul
Termina bem o sequestro das irmãs Viviane e Suziane Santos Piovesan e da empregada doméstica, Alzira Cardoso Domingues, tomadas como reféns após uma tentativa fracassada de assalto a uma agência do Banestado em Bocaiúva do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Ontem, após quase 19 horas de cárcere, os ladrões Luciano Cordeiro, 27 anos, Manoel França, 25 anos, e Divonir Marcondes, 21 anos, entregaram-se à polícia, quando receberam a garantia de integridade física. Com a rendição, eles libertaram Viviane, de 13 anos, e Alzira, 32, que eram as duas últimas reféns, porque Susiane, 10, havia sido liberada às 22 horas da noite anterior.
Os sequestradores se entregaram depois de uma negociação tumultuada, com diversas ameaças de ambos os lados. A rendição à polícia aconteceu em duas etapas. Primeiro saiu o chefe dos assaltantes, Luciano Cordeiro, acompanhado de Viviane Santos Piovesan. E, logo depois, vieram os outros dois Manoel França e Divonir Marcondes , acompanhados da empregada.
Todos os sequestradores permitiram que as reféns colocassem neles algemas, deixadas no corredor do jardim da casa por policiais. Manoel França e Divonir Marcondes puseram ainda um capuz para não serem reconhecidos. Os ladrões foram levados por um caminhão do Comando de Operações Especiais (COE) direto para a Prisão Provisória de Curitiba, onde permaneceram presos.
Todo o assalto e sequestro foi comandado pelo assaltante Luciano Cordeiro. Era ele quem negociava e decidia pelos demais. Com personalidade forte, ele demonstrou estar confiante até mesmo quando se rendeu. Seguro, saiu com um sorriso no rosto, até mesmo quando algemado encarou o secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira.
Falha Mesmo seguro e calculando riscos, o ladrão não conseguiu prever que o assalto saísse errado. Por volta das 15 horas de segunda-feira, Luciano, acompanhado de Manoel França, João Luiz Oliveira e Divonir Marcondes, entrou na maior agência bancária do município, que tem 8 mil habitantes. Armados, eles renderam o vigia da agência e queriam levar R$ 12 mil que estavam nos dois caixas.
Neste momento, os assaltantes foram surpreendidos por um policial militar que fazia uma ronda em frente ao banco. Após troca de tiros, João Oliveira, 35, que havia recolhido R$ 5,9 mil dos caixas, foi morto com um disparo no peito. Os ladrões, que já haviam obrigado os correntistas dos bancos a deitar no chão, roubaram a chave do carro de um cliente. Na fuga, nervosos e sem dinheiro, eles quebraram a chave na ignição de um Gol, sendo forçados a fugir a pé.
Do banco, eles correram por quatro quadras, entrando num milharal e pulando o muro da casa dos Piovesan. Ao entrarem, pegaram, às 15h30, as irmãs Susiane e Viviane Santos Piovesan e a empregada doméstica Alzira Cardoso Domingues. Os ladrões forçaram as três a entrarem no Voyage da família, mas para sair da casa bateram no portão para abrí-lo à força. Ao derrubá-lo, deram-se de frente com uma viatura policial e retornaram para a garagem.
A partir desse momento, os ladrões passaram a negociar com os policiais. Primeiro liberaram, Susiane, às 22 horas. E somente, ontem libertaram as outras duas reféns.





