Depois de passar por momentos de terror ao ser estuprada na semana passada, a professora londrinense de 33 anos, que está aliviada com a prisão do estuprador, inicia uma nova etapa de luta e persistência: dar andamento ao tratamento contra a Aids. Por precaução, ela começou a tomar o coquetel anti-Aids.
Apesar de sofrer diversos efeitos colaterais por conta da medicação, a professora incentiva todas as mulheres que forem vítimas desse tipo de violência a tomarem a mesma iniciativa. ''É horrível, a gente sente vontade de vomitar toda hora, mas mesmo assim eu acredito na importância e na necessidade de tomar os remédios. Tenho medo, não sei que tipo de doença aquele homem pode ter, por isso é importante. Acho que toda mulher deve fazer isso mesmo, ir atrás, buscar ajuda e fazer o tratamento'', disse à reportagem da FOLHA.
Casos como o da professora, de mulheres violentadas que precisam se medicar para evitar que a doença se alastre - caso tenham sido infectadas pelo vírus HIV - se repetem com dezenas de mulheres em Londrina, mas nem todas as vítimas buscam ajuda. Outros casos estão relacionados à exposição ocupacional - trabalhadores da área da saúde que sofrem acidentes e precisam passar pelo tratamento até que o resultado do exame de sangue revele se ele foi ou não infectado.
Em Londrina, o Centro de Referência é responsável pela distribuição do coquetel. O farmacêutico Maurício Okano explica que o tratamento dura 28 dias e deve ser iniciado o mais rápido possível. ''Ela precisa tomar os remédios até que se confirme se foi realmente infectada. Assim que a pessoa é violentada, já é feita uma primeira coleta. Depois disso, é realizado novo exame em um mês e meio, novamente em 12 semanas e depois de seis meses. Se for confirmado que ela foi infectada, daí vai depender de cada caso para verificar quais procedimentos serão tomados.''
O Brasil foi o primeiro país da América Latina a distribuir os anti-retrovirais, no ano de 1991. Segundo Okano, o tratamento é composto por quatro tipo de substâncias distribuídas em seis comprimidos ingeridos ao longo do dia. Todos os remédios são fornecidos ao município pelo Ministério da Saúde.
A enfermeira do Programa Municipal Rosa Viva, Waleska Stulzer, salienta que apesar dos efeitos colaterais, é ''extremamente importante'' que a mulher violentada inicie o tratamento o mais rápido possível. ''Elas precisam procurar o serviço no prazo máximo de 72 horas após a agressão para que os medicamentos tenham o efeito esperado. Muitas mulheres deixam de procurar ajuda porque têm medo ou vergonha de serem expostas, mas precisamos deixar claro que todo o trabalho realizado no Rosa Viva é sigiloso e garantimos a privacidade das mulheres atendidas'', enfatiza.
Atendimento
No ano passado, o programa atendeu 30 mulheres e neste ano já são dois casos. O Rosa Viva oferece assistência às mulheres vítimas de violência sexual, oferecendo medicamentos indicados para a contracepção de emergência e os anti-retrovirais. O serviço envolve ainda orientação e encaminhamento à outros serviços como Centro de Atendimento à Mulher, Delegacia da Mulher e Instituto Médico Legal (IML).
Ainda segundo a enfermeira, os atendimentos envolvem pessoas de todas as classes, área urbana e rural de Londrina e pelo menos metade dos casos envolve adolescentes. Waleska ainda faz um alerta: ''Se a mulher ou a adolescente não procurar ajuda e tiver sido infectada, poderá sofrer problemas sérios no futuro, além de poder transmitir o vírus para outras pessoas''.

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