O esforço conjunto da comunidade e do poder público no combate à dengue tem mostrado resultados. Há 10 dias foi realizado um grande mutirão na região central de Londrina, onde o Levantamento do Índice de Infestação do Aedes aegypti (Liraa) foi superior a 13%. O nível aceito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 1%.
Na ocasião foram vistoriados e limpos cerca de 2,6 mil domicílios, em 18 bairros, no quadrilátero entre as avenidas Duque de Caxias e Brasília e ruas São Vicente e Belém. O Centro Social Urbano (CSU), na Vila Portuguesa, foi roçado e limpo. Tanto trabalho foi recompensado com um novo Liraa de 2,55%.
Na manhã de ontem a reportagem da FOLHA percorreu os mesmos trechos para verificar se continuam limpos. A grande preocupação é que com a chuva do último fim de semana o índice volte a subir.
Logo cedo Josias da Silva Mendes, responsável pela varrição no CSU, já tinha enchido três grandes sacos de lixo com latinhas, garrafas e embalagens plásticas. "Limparam tudo mas o pessoal continua jogando lixo, depois do final de semana é pior", lamenta.
Morador da região, o aposentado Lourival Ferreira de Araújo se exercita todos os dias na academia ao ar livre do CSU e também observou que nem todos estão dispostos a preservar o ambiente limpo. No dia do mutirão ele aproveitou para se desfazer de algumas coisas. "Assim mantenho meu quintal limpo e não tenho visto o mosquito da dengue em casa. Também havia um terreno baldio em frente de casa que vivia cheio de lixo. Me uni aos vizinhos, limpamos e fechamos com uma tela, agora ninguém joga mais nada lá", garante.
As estudantes Isabella Guimarães e Graziele Soares também aproveitaram a manhã de férias para caminhar no CSU. Depois de muito tempo sem visitar o local, elas se espantaram com a limpeza do lugar. "Carpiram a grama, está bem mais limpo, pena que as pessoas já voltaram a jogar lixo", reclamam.
Andando pelas ruas, é possível perceber que de modo geral todos estão cuidando de seus quintais, que aparentam estar organizados. Mesmo os terrenos baldios ainda conservam a limpeza do mutirão, quando foram recolhidos 16 caminhões com restos da construção civil, madeira, móveis velhos, galhos e recicláveis.

Continuidade
O coordenador de Endemias da Secretaria de Saúde, Elson Belisário, reforça a importância da comunidade ajudar no combate à dengue. "Os indicadores mostram que houve redução dos índices, mas temos que manter. A maior preocupação é com os terrenos baldios, senão não adianta deixar os quintais limpos. Com a chuva de final de semana é necessário cuidado, senão perderemos o trabalho de duas semanas", alerta. Em Londrina já foram confirmados 32 casos da doença.
De acordo com Belisário, se a água se acumular em um recipiente onde haja ovos, no final de semana eles já terão se transformado em mosquitos adultos. "Hoje (ontem) já temos larvas em primeiro estágio. O grande cuidado é jogar a água dos recipientes na terra ou no chão quente e não em ralos e pias. Se fizer isso apenas estará transferindo as larvas de lugar. Inclusive já encontramos focos em cifões de pias e tanques", diz.
Um mutirão será realizado hoje nos jardins Leonor e Leste-Oeste (zona oeste), com trabalho educativo, limpeza de terrenos baldios, caminhões recolhendo entulhos e materiais recicláveis, além da aplicação do fumacê costal. "Não iremos recolher a chamada linha branca, como geladeiras, fogões e micro-ondas", lembra o coordenador.
Amanhã será realizado apenas o trabalho educativo no Conjunto Panissa, também na zona oeste. A justificativa é que cada local apresenta um tipo de criadouro do mosquito e o trabalho é realizado de acordo com isso. "O problema ali são as pessoas que armazenam água de forma incorreta, não há lixo nos quintais por isso não é necessário usarmos caminhões", explica Belisário. Ainda serão definidos os locais de trabalho de sexta e sábado.

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