Depois da enxurrada, a hora da limpeza
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Moradores de Londrina vitimados pelo temporal que caiu sobre a cidade na tarde de anteontem contabilizavam, ontem de manhã, os prejuízos causados pela chuva. Em todo o município, conforme informações do Corpo de Bombeiros, foram registrados 30 alagamentos e quatro desabamentos.
As regiões Leste, Sul e Oeste concentram os maiores estragos. Funcionários da prefeitura passaram o dia tentando limpar a sujeira causada pela enxurrada. Com caminhões, tratores e enxadas, tiravam parte do bairro acumulado nos pontos mais atingidos.
Na Rua Charles Lindenberg, no Jardim Santos Dumont (Zona Leste), a casa onde a secretária Simone Lucas Camilo mora com a tia aposentada foi interditada devido ao desabamento de um muro. Com a queda, água e lama invadiram a residência e destruíram praticamente todos os pertences das duas. ''Não sei o que vamos fazer. Estamos na casa de uma outra tia, mas acho que precisaremos alugar uma casa'', disse.
Simone afirmou que já havia identificado rachaduras no muro que pertence ao vizinho dos fundos e inclusive entrou em contato com a Secretaria Municipal de Obras pedindo providências. ''A prefeitura deu prazo de 30 a 45 dias para fazer a vistoria. Agora não adianta mais'', lamentou.
Moradora da mesma rua, a aposentada Terezinha Farias contou que, em 12 anos, presenciou alagamentos no local em outras duas ocasiões. ''Ontem (anteontem), a rua virou um rio. Desceu muito lixo com a água'', afirmou.
Do outro lado da Avenida Dez de Dezembro, na Rua Adriático, na Vila Brasil (Área Central), a artesã Nely Martins de Araújo encontrava-se perdida em meio à lama que invadiu a casa da sogra devido ao desabamento de outro muro. ''O muro de arrimo era sólido, foi construído pelo meu sogro. Mesmo assim, não aguentou a força da enxurrada'', disse.
Móveis e eletrodomésticos foram destruídos. Entulhos acumulados na casa de vizinhos invadiram o quintal. A cachorra Lila, que estava descansando em uma poltrona, foi arrastada pela água e desapareceu. ''Achaamos que estava morta, mas felizmente ela se salvou e conseguiu voltar para casa hoje (ontem) de manhã.'' Nely espera ajuda da prefeitura para conseguir colocar ordem na residência. ''Será preciso mandar um caminhão para retirar a sujeira.''
Na casa vizinha, a operadora de caixa Alessandra Torqueti passou a manhã retirando móveis e objetos dos cômodos mais próximos do muro que desabou. Ela contou que foi orientada pelo Corpo de Bombeiros a deixar a casa em função do risco de um novo desabamento. ''Estou ficando na casa da minha avó, que mora na frente. Só poderei voltar para minha própria casa depois de uma nova vistoria.''


