Depois da enchente, o perigo das doenças
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sábado, 06 de fevereiro de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Animais mortos, lama e muita sujeira. Essa é a realidade que moradores das cidades do Norte Pioneiro começam a enfrentar a partir de agora, quando a chuva dá uma trégua e o sol permite que a limpeza comece. Depois de viver o desespero de assistir suas casas sendo tomadas pela água do Rio Cinzas e seus afluentes, as populações desses municípios passam a ser monitoradas pelos órgãos de saúde, que se preocupam agora com propagação de doenças.
Em Tomazina (Norte Pioneiro), a prefeitura tem pressa em fazer a limpeza. Capivaras mortas e ratos já foram avistados pelas ruas da cidade depois que a água do rio voltou ao seu nível normal. Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, Flávio Xavier de Lima, agentes da Secretaria Municipal de Saúde e voluntários percorrem as casas orientando as pessoas para os cuidados com as doenças. ''Eles estão recolhendo pneus e outros entulhos que podem contribuir para a proliferação do mosquito da dengue, entre outras ações'', comenta.
Em Sengés (Norte Pioneiro), homens da Defesa Civil ajudaram a recolher pelo menos oito animais de grande porte mortos, entre bois e cavalos, dentro de casas e nas ruas. A lama continua por toda a cidade mas, de acordo com o tenente Jorge Augusto Ramos, da Defesa Civil, por enquanto não houve registro de pessoas com algum indício de doença. ''Estamos em contato direto com a secretaria de Saúde, que já está atuando na divulgação quanto a esses riscos'', comenta.
A médica e coordenadora do Núcleo de Epidemiologia do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Josemari de Arruda Campos, lembra que, em situações de enchentes, a água do rio, em contato com o lixo da área urbana, facilita a contaminação de doenças virais e bacterianas. Por isso, segundo ela, é preciso atenção redobrada no pós-enchente.
''A água suja vai fazendo uma varredura pelas ruas e casas, passa por buracos e chega em espaços onde há o contato com as pessoas. A bactéria pode penetrar na pele pelo simples contato e também pela água permanecer muito tempo parada. Qualquer arranhão ou machucado na pele é uma porta para o acesso dessas bactérias'', diz.
De acordo com a médica, a simples exposição ao lixo favorece o surgimento de doenças infecciosas como a dengue, a leptospirose (infecção humana transmitida pelo rato de esgoto), esquistossomose (contraída por meio da penetração das larvas de um esquistossomo na pele), entre outras. A ingestão de água suja, afirma Josemari, pode facilitar, a contaminação por hepatite A.
''Em situações como essas, acontece de a água permanecer suja por um tempo. Quem bebe dessa água, ainda que sem querer, pode ter diarréia infecciosa, entre outras doenças. A conjuntivite também pode ser outra doença de fácil contágio em situações como essas''.
Josemari reforça que os moradores de áreas atingidas por enchentes precisam evitar o contato com a lama. Segundo ela, a lama pode transportar microorganismos contaminados com dejetos de animais. ''A bactéria leptospita, transmitida pela urina do rato, acaba se espalhando para todo lugar onde esse animal estiver é uma bactéria que permenece no animal enquanto ele estiver vivo. Por isso, quem percorre ambientes de enchentes precisa se prevenir com luvas, botas e evitar ao máximo o contato com essa sujeira. Todo cuidado é muito importante'', finaliza.


