Choveu. Verbo defectivo e intransitivo que muita gente conjugou animadamente na segunda à noite e ontem. Choveu e os guarda-chuvas começaram a ser tirados de casa, com os tradicionais modelos pretos acompanhados pelas sombrinhas coloridas. Por toda a cidade havia a torcida para que a chuva chegasse. Ninguém suportava mais ficar com o nariz ressecado, com a poeira obrigando as pessoas a passarem os panos nos pisos e nos móveis a todo instante. A precipitação, que foi em torno de 45 milímetros, abrandou o calor intenso. Os casacos e blusas que estavam esquecidos começaram a sair dos guarda-roupas.
Ontem pela manhã, mal caíram as primeiras gotas e o comerciante Clóvis Rossetti começou a vender guarda-chuva. "Já vendi cinco até agora", dizia animado. Os ambulantes também surgiram do nada e começaram a sacar seus cestos com guarda-chuvas. Houve aqueles desavisados, que não acreditaram que a chuva viesse e deixaram ele em casa. Outros até se lembraram de pegar, mas acabaram esquecendo dentro do carro. Foi o caso de Talita Rodrigues, que acabou se molhando no trajeto até o veículo. "Mas vale a pena tomar essa chuva. Eu estava sentindo falta dela, pois estava muito calor", destacou.
Para a monitora de trânsito da Epesmel, Cristiane Noguchi, a chuva foi providencial. "O calor estava muito intenso; mesmo tendo que trabalhar sob chuva, eu prefiro assim." Ela só pede que a chuva dure no máximo três dias. "É que o meu marido é garapeiro e isso afeta as suas vendas", relatou.
O meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Paulo Barbieri, relata que a última chuva significativa havia sido registrada em Londrina no dia 24 de março, quando caiu 19,6 milímetros. E para quem esperava mais água caindo do céu, Barbieri jogou um balde de água fria. "Nos próximos quatro dias não vai ter mais chuva", decretou.
E Barbieri orientou a retirar os casacos do armário. "Agora não tem jeito, vai esfriar bastante. Nesta quarta-feira (hoje), a temperatura cai para 10º. Na quinta-feira, ela abaixa mais ainda e fica em 6ºC. Na sexta-feira fará 8ºC e no sábado começa a aumentar um pouquinho, com a temperatura ficando na casa dos 11ºC", apontou, se referindo à região de Londrina. Para o Centro-Sul do Estado, há previsão de geada na quinta-feira.
O ourives Haruo Hamamoto gostou da notícia, já que sofreu muito com o suor intenso. "Eu prefiro o frio ao calor."

Ocorrências
Mas nem todos ficaram felizes com a chuva e o vento da última segunda-feira à noite. A Copel informou que em aproximadamente 68 mil domicílios houve desligamento por algum momento durante a chuva, em toda a região Norte do Paraná; a metade deles localizada no município de Londrina. A maior parte dos desligamentos foi causada pela incidência de raios e a queda de galhos de árvores lançados sobre os fios elétricos.
Na manhã de ontem ainda havia mil domicílios com a energia desligada na cidade. Os municípios de Apucarana, Arapongas, Borrazópolis e Rolândia também registraram ocorrências, contudo tiveram o fornecimento normalizado na mesma noite.
O temporal na noite de segunda também provocou a queda de árvores em pelo menos quatro ruas: Belém (centro); Atílio Scudeler (Vila Portuguesa); Vênus (Jardim do Sol) e na Estrada do Limoeiro (zona leste). (Colaborou Samara Rosenberger/Equipe Folha)

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