Não adianta ''tapar o buraco com a peneira''. O trocadilho ressurge cada vez que chove forte em Londrina, como ocorreu nos últimos dias. Com a trégua de ontem, buracos de diversos tamanhos ficaram visíveis no asfalto, em muitos pontos da cidade. Embora a Secretaria Municipal de Obras e Pavimentação tenha se apressado em retomar a operação ''tapa-buracos'', os motoristas sabem que, na próxima chuva, eles estarão de volta.
''O problema não é só a chuva, é a qualidade do asfalto. Já pensou se cada vez que chovesse o seu telhado estragasse? A prefeitura tem que cuidar melhor das vias, não só aplicar multa. Acho que aqui teria que refazer todo o asfalto'', protesta o gerente de ferro-velho Marco Antônio Miranda, 49 anos, apontando para a Avenida Dez de Dezembro (Zona Sul), próximo à Avenida Jorge Casoni. O gerente reclama que os buracos já provocaram problemas na suspensão de seu carro, além de entortar as rodas.
Em outro trecho da mesma avenida, na altura do Jardim Califórnia (Zona Sul), a combinação de buracos com velocidade acentuou não só os riscos de danos ao veículo, como também de acidentes. Ali, o tamanho do estrago atingia cerca de um metro de comprimento por 10 centímetros de profundidade. Com a maioria dos motoristas trafegando acima da velocidade máxima permitida (70 km/h), a saída era fazer malabarismos na pista.
''Dou nota zero para a prefeitura pela conservação das ruas. O asfalto está horrível na cidade inteira, mais perigoso ainda depois da chuva'', reclamou o comerciante Ailson Garioli, que dirigia pela Dez de Dezembro. ''A gente sabe que a chuva é prejudicial mesmo, mas o conserto dos estragos tem que ser imediato'', disse o também comerciante Maurício Magalhães.
Trechos de responsabilidade do Estado também foram afetados. Ontem, a Rodovia João Carlos Strass (Zona Norte) apresentava buracos em quase toda sua extensão. Em alguns pontos, motoristas ignoravam o perigo e passavam por cima dos buracos em alta velocidade, levantando pedras e água acumulada da chuva.
O engenheiro de operações do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) em Londrina, Sérgio Selvatici, afirmou que o órgão iria avaliar a dimensão dos estragos e, se preciso, tapar os buracos. Ele não quis especificar prazos. ''Não posso dizer que será hoje ou amanhã. Temos 'só' 2,5 mil quilômetros de estradas em todo o estado para conservar. Estamos atentos aos problemas, mas é preciso ter em mente que asfalto e chuva não casam'', alegou.
A reportagem da Folha procurou o secretário municipal de Obras, Aloysio de Freitas, mas não obteve retorno. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a operação tapa-buracos seria realizada em 42 pontos da cidade ontem e justificou que ''a malha viária da cidade, que tem mais de 30 anos, não resiste às chuvas intensas''.

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