A londrinense Rosimary Garcia Ferreira pode estar a um passo de comprovar sua inocência. Presa no aeroporto de Assunção (Paraguai) há mais de um ano, quando tentava embarcar para Madri com quatro quilos de cocaína, Rosimary vem tentando provar à justiça paraguaia que foi vítima de armadilha feita pelos traficantes.
Para levar o caso a julgamento, a defesa está dependendo apenas dos depoimentos de 11 testemunhas de Londrina.
Os depoimentos, segundo a família de Rosimary, devem confirmar que a jovem agiu de ‘‘boa f钒 ao responder a um anúncio de jornal que oferecia emprego. A resposta a esse anúncio teria levado Rosimary a cair nas mãos de traficantes. Até ontem, porém, a carta rogatória que autoriza a Justiça Federal a colher os depoimentos ainda não tinha chegado a Londrina. O documento continuava no Supremo Tribunal de Justiça, em Brasília.
‘‘Os depoimentos das testemunhas brasileiras são um instrumento de defesa importante no caso, porque vão evidenciar a armadilha’’, diz o irmão de Rosimary, o advogado Jorge Custódio. Ele explicou que tem recebido apoio de vários setores. E está depositando uma confiança especial na Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados (Brasília).
Em documento enviado ao ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampréia, o presidente da Comissão, deputado Pedro Wilson, pede a intervenção do governo brasileiro para a libertação de Rosimary. No documento, o deputado considera que há provas suficientes da inocência da londrinense.
Com o apoio dos deputados, Jorge Custódio está tentando uma audiência com os ministros da Justiça e das Relações Exteriores para agilizar a tramitação da carta rogatória. A esperança da família é que o julgamento ocorra ainda neste ano, com resultado favorável para Rosimary. A coerência nos depoimentos de Rosimary, diz Custódio, tem conquistado também a confiança da justiça paraguaia.
Recentemente Rosimary passou por um teste que avalia se a pessoa está mentindo em suas afirmações. Segundo o teste, ela teria dito a verdade sobre o que lhe aconteceu antes da prisão no aeroporto.
A londrinense contou à polícia que decidiu aceitar o emprego anunciado depois de vários contatos por telefone, na tentativa de confirmar a seriedade da oferta de trabalho para secretariar um casal de executivos. O casal dizia ser do Mato Grosso. Depois que saiu de Londrina, para se encontrar com os executivos, Rosimary chegou a ligar várias vezes para a família.
Ainda iludida com a seriedade do casal, ela queria tranquilizar os familiares. Somente quando já estava no Paraguai, Rosimary teria tomado conhecimento sobre o tráfico de drogas, sendo obrigada, sob ameaças de morte, a levar a droga.
Entre os depoimentos pedidos através da justiça paraguaia está o do vereador Célio Guergoletto (PMDB). Em consequência do caso de Rosimary, o vereador elaborou lei que regulamenta anúncio de empregos veiculados pelos meios de comunicação na Cidade. Antes da lei, o anunciante não era obrigado a se identificar junto à empresa.

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