Depoimentos sobre morte de pioneiro são contraditórios
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quinta-feira, 09 de janeiro de 1997
Edmara Michetti 
Arquivo Folha/Dorico da Silva
Arquivo Folha/Dorico da SilvaDúvidaO delegado Casagrande espera ouvir ainda esta semana depoimento de um funcionário identificado como Alagoas para confirmar versão contada por Marcos Antonio Baxhix. Ele foi intimado depois que alguns funcionários, entre eles Rosana Martins (foto da dir.), disseram tê-lo visto na sede da fazenda
Marcos Antonio Baxhix, 41 anos, irmão da administradora da fazenda Santa Helena, Josyê Godoy, negou ontem, em depoimento ao delegado do 6º Distrito Policial, Edson Casagrande, ter estado na sede da fazenda no dia da morte do pioneiro Olavo Godoy (22 de dezembro, um domingo). Marcos Antonio arrenda uma área da Santa Helena há cerca de dois meses, onde mora com a mãe e a avó. Ele argumentou que o mau tempo impossibilita o tráfego de carro pelas estradas internas da fazenda. Naquele domingo havia chovido.
Ele foi intimado a depor após os funcionários da fazenda Rosana Aparecida Martins, Lázaro Rafael da Silva Filho e sua filha S.M.S., 16 anos, terem relatado, em depoimentos, que o viram entrar na sede naquele dia. Rosana relatou ao delegado que, no domingo, teria visto Baxhix entrar na sede pela cozinha, quando ela e a enfermeira Nancy Alves Takaoka tomavam café.
Rosana declarou ainda que ao chegarem no quarto, por volta das 9 horas, para o banho do pioneiro, ele estava caído no chão, e Marcos já havia saído da sede sem ser visto. Nancy confirma a versão da família de que o pioneiro só foi encontrado no chão por volta do meio-dia, durante um tumulto na fazenda.
Lázaro Rafael da Silva Filho e sua filha disseram que viram Marco Antonio quando ele saía da casa em direção à caminhonete. Lázaro declarou que ele parecia muito apressado, saindo pelo portão dos fundos da fazenda. Lázaro e a filha teriam ido à sede para receber pelos serviços.
Outro fato que causa estranheza ao delegado é a declaração de L.A.S., 13 anos, também filha de Lázaro, e funcionária da sede. Ela afirmou que, um dia antes da morte do pioneiro, Marco Antonio teria lhe procurado informando que ela não precisaria trabalhar naquele domingo. Trabalhando como faxineira na casa de segunda a segunda, a garota citou ainda a dificuldade em se conseguir uma folga da patroa Josyê.
No depoimento dado ontem, Marco Antonio afirma que só ficou sabendo da morte de Olavo Godoy na segunda-feira, dia 23, por volta das 13h30. Segundo ele, a notícia foi dada por um funcionário da fazenda identificado apenas por Alagoas. O funcionário deve ser intimado hoje pelo delegado, que pretende ouvi-lo ainda esta semana.
Marco Antonio já responde a inquérito em Foz do Iguaçu por posse de veículo furtado, que estava sendo levado ao Paraguai. Ele próprio confirmou a informação ao delegado Casagrande dizendo ter sido preso em flagrante sem lembrar exatamente a data. O delegado vai levantar a ficha policial de Marco Antonio. Ontem, isso não pôde ser feito porque os computadores estavam fora do ar.
O delegado ainda aguarda o resultado dos exames do sangue dos lençóis e travesseiros apreendidos no tanque de lavar roupa da fazenda um dia após a morte do pioneiro. Segundo o delegado, os exames feitos pelo Instituto de Criminalística estão praticamente prontos, esperando apenas a confirmação do tipo sanguíneo de Olavo Godoy. Outros esclarecimentos sobre as condições da morte devem vir dos exames de tomografia feitos no Hospital Evangélico, onde o pioneiro foi atendido. Quero saber se houve fratura ou afundamento de crânio. A médica que o atendeu, Aide Massumi Ohe, afirmou que Godoy teria chegado ao HE com corte no supercílio e ferimentos no nariz.


