Um dos motoristas acusados de ter pago para conseguir a carteira nacional de habilitação, J.M.S. disse em depoimento ao delegado Roberval Butaccini que passou a ter problemas psicológicos após depor na auditoria realizada na 8ª Ciretran de Campo Mourão. Ele disse que foi forçado a dizer que havia um esquema de corrupção dentro do órgão. Desde então, teve que passar a tomar comprimidos para dormir.
Nos depoimentos dados na delegacia de Campo Mourão, os motoristas contam que ficaram numa sala fechada junto com dois inspetores do Detran, onde sofreram ameaças de prisão caso não denunciassem o esquema. S.K., por exemplo, aparece no relatório confessando o pagamento de R$ 150,00 para obter ajuda e receber a carteira após várias reprovações. À polícia, ele disse que foi coagido e que assinou um documento sem ver o que estava escrito nele.
J.C. aparece no relatório dizendo que precisou preencher apenas o cabeçalho de uma folha amarela e que soube, depois, que havia sido aprovado no exame. Para isso, teria pago R$ 100,00. Na polícia, contou que nunca subornou ninguém nem obteve facilitações para obter a carteira. G.O.M. disse aos auditores que entregou o gabarito em branco e que mesmo assim foi aprovada. Ela teria pago R$ 200,00 pela ajuda. Tudo isso, porém, foi negado ao delegado. (S.S.)

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