Depoimentos que sensibilizam
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Antoniele Luciano <br>Reportagem Local
Toda a doação de órgãos tem dois lados o de quem doou e o de quem foi salvo pelo ato. Para aproximar a comunidade desta realidade, a Irmandade da Santa Casa de Londrina (Iscal) abriu ontem uma exposição de fotos, vídeos e depoimentos de receptores, doadores em vida e famílias doadoras. O material todo reúne 23 pessoas e pode ser conferido no térreo do Royal Plaza Shopping até amanhã. Ontem, o município chegou à marca de 40 doações de múltiplos órgãos em 2015. O número é 42% maior do que o alcançado em todo ano passado.
Segundo a coordenadora da Comissão Intra-hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT) da Iscal, enfermeira Erika Bezerra Ludwig, é importante colocar o tema na pauta de discussões do dia a dia. "Ainda falta informação sobre o assunto. É preciso que as pessoas reflitam sobre a possibilidade de um dia precisarem de um órgão. O mais doloroso é saber que alguém que amam também pode vir a precisar", comenta Erika. Ela observa que hoje para autorizar a captação de órgãos após a morte, só basta comunicar esta vontade à família. "A própria família, quando é avisada sobre isso, se sente mais segura na hora de dar a autorização, porque não se trata apenas de uma certeza dela, mas da pessoa que faleceu", pontuou.
Com testemunho na mostra, a aposentada Helena de Paula Cardoso, de 65 anos, e a família autorizaram a doação de múltiplos órgãos do filho Nelson, então com 45 anos, em julho do ano passado. Ele morreu em decorrência de um acidente vascular cerebral poucos dias após ser internado. A doação, conforme a mãe, a tem ajudado a lidar com a perda. "Sei que alguém deve estar muito bem com um órgão dele. É minha alegria saber que um pedacinho do meu filho está ajudando outra pessoa a sobreviver", definiu Helena.
Quem passou pela exposição no Royal Plaza e conversou com a equipe da Santa Casa diz ter ficado sensibilizado com a ação. "Vou conversar mais com a minha família sobre isso. Acho importante ser doador", afirmou o vendedor Bruno Bená, de 22 anos. O aposentado Otávio de Paula Nascimento, de 78, lembra que não tem mais idade para doar órgãos, mas que nem por isso deixará de fazer a sua parte. "Me reúno com familiares e amigos no fim do ano e é certo que vou expor tudo isso para eles, que ainda podem ajudar", destacou.
A Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplante (Copott), da 17ª Regional de Saúde (RS), está próxima de fechar o mês de setembro com um dos melhores resultados ao longo de todo o ano. Com uma captação de múltiplos órgãos realizada no Hospital Universitário (HU) de Londrina ontem, o número de doações neste âmbito, que envolvem fígado, coração, rins, pâncreas, pulmões e intestino, passou para 40. Em 2014, foram 28 casos no total. As doações por parada cardiorrespiratória também já ultrapassaram a marca do ano anterior. Até ontem, eram 148, contra 106 em 2014. Isso inclui válvulas cardíacas e córneas.
Os órgãos captados ontem são de uma jovem de 28 anos, de Califórnia (Centro-Norte). Ela sofreu um acidente de moto e teve morte encefálica. Os primeiros órgãos captados pela equipe do HU - coração, rins, córneas e fígado, foram encaminhados para Curitiba.
Ainda em Londrina, na área da Iscal, foram feitas neste ano seis doações de órgãos múltiplos. O número corresponde a 100% do total de notificações para doação até setembro. No ano passado, de 15 casos em que era possível ocorrer doação, houve nove recusas. "Os números deste ano são resultado de todo um trabalho em várias frentes. O Estado tem feito ações de manutenção e valorização das estruturas para doações, mas as equipes intra-hospitalares também têm se organizado para alcançar isso", analisou a coordenadora do Copott, Ogle Bacchi.
Na região de Londrina, 345 pessoas estão na fila de espera por um órgão 42 por córneas, duas por coração e 301 à espera de um rim. No Paraná, a fila envolve mais de 2 mil pessoas, calcula o Copott.