Depoimentos complicam Mota e envolvem político de Apucarana
Depoimentos complicam Mota e
envolvem político de Apucarana
Diretor da Central Norte diz que tentativa de extorsão foi feita também por assessor Gavilan em nome da Câmara
Benê Bianchi
Josoé de Carvalho
Denúncia reafirmadaNelson Estivan: Pediram R$ 50 mil para não divulgar laudo Mais duas pessoas prestaram depoimento ontem na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara, formada para apurar denúncias de tentativa de extorsão contra cooperativas de Londrina e Apucarana, para que não fossem divulgados resultados de laudos do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo.
A novidade do dia ficou por conta do depoimento de Roseli Aparecida Locateli, funcionária da Atlântida Limpeza e Conservação, que presta serviços para a Câmara. As revelações de Roseli acabaram complicando ainda mais a situação de Fredemax Mota, que trabalhava com o então vereador Jacy Aguiar (PDT).
Ela revelou que Mota lhe perguntou, em encontro na Câmara, onde poderia encontrar a marca Deleite para comprar. Coincidentemente, ela é prima do produtor do Deleite, Devair Martins. Após informá-lo sobre onde encontrar o produto, Fredemax Mota teria confidenciado a ela que tinha interesse em retirar amostras do leite para análise se o produtor lhe pagasse uma taxa.
Descuidadosamente, ele propôs a ela dividir o valor da taxa, que seria de R$ 3,5 mil, observou o presidente da CEI, vereador Antenor Ribeiro (PPB). Ele diz que chegou a ser coletada amostra do Deleite. Mas não foi analisada por se tratar de leite tipo A e o objeto da análise solicitada pela Câmara era o leite tipo C.
Também prestou depoimento Nelson Estivan, diretor comercial da Cooperativa Central Agroindustrial Limitada (Central Norte), empresa responsável pelas marcas Marcial e Guri. A Central Norte é de Apucarana. Estivan afirmou ter sido procurado por Fredemax e José Rojas Gavilan. O reconhecimento de Gavilan foi feito por Estivan pelas fotos disponíveis na Assessoria de Imprensa da Câmara e no gabinete do vereador Beto Scaff (PSDB), para quem prestava serviços.
Em seu depoimento, Nelson Estivan envolveu mais uma pessoa na tentativa de extorsão. Segundo ele, a conversa entre a Central Norte, Fredemax e Gavilan foi intermediada por um político de Apucarana. Antenor Ribeiro afirmou que, embora os membros da CEI tivessem insistido, Estivan se negou a fornecer o nome do político. De acordo com o depoimento, toda tentativa de negociação teria sido feita em nome da Câmara. Não foram citados nomes de vereadores.
O gerente da Central Norte se negou a dar detalhes de seu depoimento à imprensa. Comentou apenas que o encontro foi realizado em Apucarana. Eles nos pediram R$ 50 mil para não divulgar o laudo do Adolfo Lutz. Em nenhum momento nós aceitamos porque estamos tranquilos com relação ao nosso produto, do qual fazemos análises diárias.
Estivan comentou que a cooperativa garante a qualidade de seus produtos até que saiam do portão da fábrica. De lá, saem de acordo com as exigências da saúde pública. Ele citou que a Central Norte registrou queda nas vendas de leite, mas não soube informar o percentual.
Para hoje estão marcados os depoimentos de Jacy Aguiar - ele ocupava uma cadeira na Câmara até recentemente, antes do retorno de Moysés Leônidas (PDT); do promotor de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti, que acompanhou a coleta das amostras que foram encaminhadas para análise em São Paulo; e do vereador Marcelo Francisco Plastina (sem partido), de Arapongas. Ele foi citado nos depoimentos de Fredemax Mota e do diretor-presidente da Cativa, Osmar Buzinhani.
A CEI também aguarda uma resposta do Instituto Adolfo Lutz para tentar identificar a primeira pessoa que teria tido acesso aos laudos. As análises foram solicitadas pela Câmara, coletadas em vários pontos de venda da Cidade, e entregues ao instituto paulista. O resultado foi levado ao presidente da Câmara, Adalberto Pereira, pelo então vereador Jacy Aguiar.
De acordo com os laudos, as amostras das marcas Cativa, Guri e Marcial estavam insatisfatórias por conter bactéria do grupo coliforme.





