O delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Valdir Abrahão da Silva, disse que foi surpreendido com os depoimentos das possíveis vítimas do delegado nomeado de Jataizinho (21 quilômetros a leste de Londrina), Artur Pereira de Toledo, 43 anos, conhecido por ‘‘Artur Bruxa’’.
Toledo foi preso em flagrante por estelionato. Junto com outras pessoas - foragidas - ele é acusado de ficar com R$ 10,9 mil aplicando o ‘‘golpe do chute’’. O golpe foi aplicado em uma fazenda em Mauá da Serra (54 quilômetros ao sul de Apucarana). As vítimas são os agricultores de Pirapozinho (SP) José Santos da Silva, Jeferson Aparecido Bergasso e Sebastiana do Carmo Soares. ‘‘A minha intenção era autuar o acusado por roubo, mas não foi possível por causa dos depoimentos das vítimas’’, afirma o delegado Valdir Abrahão.
Os agricultores vieram do interior paulista comprar cabeças de gado por preço bem abaixo de tabela, conforme anúncio publicado em jornais daquela região. Quando estavam fechando o negócio, foram surpreendidas pelos ‘‘vendedores’’, que fugiram com o dinheiro, alegando que iriam pagar o Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pela transação. Na primeira versão dada pelas vítimas à Polícia Militar, o dinheiro teria sido tomado sob violência. Um dos ladrões teria ameaçado sacar uma arma. No entanto, antes de chegar na 10ª SDP, as vítimas teriam sido instruídas a omitir esses fatos, com a promessa de receber o dinheiro de volta.
Nos depoimentos ao delegado Valdir Abrahão, os agricultores disseram que o ladrão fugiu sem ter praticado nenhuma violência. Segundo a versão dos depoentes, ele apenas teria dito que não precisava de companhia para pagar o imposto. Os agricultores também disseram à polícia que Artur Bruxa chegou depois à fazenda, quando esperavam o retorno do ladrão que foi ‘‘pagar o ICMS’’. No local teria ficado esperando outro comparsa que foi ‘‘preso’’ por Artur Bruxa. ‘‘Ele (Artur Bruxa) teria fabricado a prisão para tirar do local o companheiro de golpe. Neste caso, o dinheiro das vítimas já teria sido levado, o que não me permitiu denunciar o acusado pelo crime de roubo. Tive que enquadrá-lo apenas por estelionato’’, afirma Abrahão.
Artur Bruxa é delegado conhecido como ‘‘calça-curta’’, pois não é concursado e foi nomeado por político da região. Ele foi preso pelo serviço reservado da Polícia Militar (P-2) em Londrina, na direção do Corsa de sua esposa, com placas de um caminhão roubado em São Paulo. Ele diz ser inocente e diz ter sido obrigado pelos ladrões para ir até a fazenda e fazer a ‘‘prisão’’.

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