Paulo Ubiratan
De Londrina
O vendedor autônomo Vanderci Garcia Pereira, 40 anos, confirmou ontem à tarde, em depoimento à polícia, que ouviu o secretário municipal de Governo, Sidnei de Oliveira, chamar a jornalista Vita Guimarães, da Rádio Paiquerê, de ‘‘nega suja’’. O depoimento foi prestado ao delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim Antônio de Melo. Minutos antes de ouvir Vanderci Pereira, o delegado indeferiu a petição do acusado, que tentava anular o depoimento da testemunha.
‘‘Eu ouvi perfeitamente quando o secretário municipal Sidnei de Oliveira chamou a Vita de nega suja. A agressão verbal me surpreendeu e eu disse para o secretário ir pedir desculpas à jornalista, o que ele não fez pois saiu rapidamente do local’’, afirmou Pereira. O fato teria ocorrido na saída da Câmara de Vereadores, no dia 29 de fevereiro, quando seria votada a instalação da Comissão Processante para apurar denúncias de corrupção contra o prefeito Antonio Belinati (PFL). Vita Guimarães estava trabalhando na cobertura do caso.
A testemunha também enfatizou que, antes de agredir verbalmente a jornalista, Sidnei de Oliveira teria passado por ela e chamado a sua atenção para que fosse imparcial com as notícias que estava transmitindo.
O delegado chamou para prestar depoimento sobre o caso o advogado Valdeci Carlos Trindade, o radialista Carlos Oliveira, da Rádio Paiquerê, e o diretor da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Agnaldo Dionísio de Oliveira, que é primo do acusado. O delegado Joaquim Melo marcou o depoimento das testemunhas para a próxima segunda-feira.
Procurado pela Folha, o secretário Sidnei de Oliveira respondeu, através da Assessoria de Imprensa da prefeitura, que não iria se pronunciar sobre o caso.
Outra denúncia de discriminação racial em Londrina já tramita na Justiça. O promotor da 2ª Vara Criminal, Miguel Jorge Sogaiar, denunciou por discriminação racial a dona de casa Guiomar Antonia Thomaz, por ter agredido verbalmente o auxiliar de pedreiro José Luiz Ferreira. A juíza Lidia Maejima acatou ontem a denúncia do promotor e deverá começar a ouvir os envolvidos e testemunhas do caso em outubro.
Segundo os autos da denúncia do promotor, Guiomar Thomaz teria chamado o pedreiro de ‘‘preto fedido’’. O fato aconteceu no dia 13 de abril do ano passado, quando a vítima trabalhava na construção da residência da acusada. Sogaiar chamou a atenção que Guiomar deverá ser enquadrada no artigo 20 da lei 9459, de 13 de maio de 1997 ‘‘que trata da discriminação ou preconceito de raça, que vai contra a norma penal’’.