Depoimento envolve ex-vereador
Depoimento envolve ex-vereador
Benê Bianchi
O revisor de textos da Câmara de Vereadores, José Milanez, foi ouvido na noite de terça-feira pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga o chamado escândalo do leite.
Os esclarecimentos feitos por Milanez podem complicar a situação do ex-vereador Jaci Aguiar (PDT). A CEI apura denúncia de tentativa de extorsão por parte de ex-assessores de vereadores. A acusação partiu de cooperativas agropecuárias da região.
Milanez havia procurado o presidente da CEI, Antenor Ribeiro (PPB), para relatar que foi autor dos ofícios encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, a pedido de Aguiar. Fiz isso porque sabia que uma hora meu nome poderia aparecer envolvido nessa polêmica.
Segundo Milanez, em meados de fevereiro, quando a Câmara ainda estava em recesso, ele foi chamado ao gabinete de Aguiar, que ocupou uma vaga no Legislativo até início de abril. O então vereador solicitou a Milanez que lhe prestasse um serviço particular, redigindo um ofício ao Instituto Adolfo Lutz. No documento, eram solicitadas a execução de exames em cerca de 10 amostras de leite que seguiam em anexo. O ofício pedia ainda isenção dos custos das análises.
Milanez esclareceu à CEI que Aguiar havia lhe pedido sigilo sobre o assunto. Eu não sei se ele mandou ou não as amostras naquela época. Só posso falar sobre o ofício que redigi. Ainda antes de encaminhar requerimento solicitando ao plenário da Câmara autorização para efetuar análises de leites consumidos em Londrina, Aguiar teria recebido uma resposta do Adolfo Lutz. O instituto paulista esclareceu que não faria as análises gratuitamente.
Foi encaminhado outro ofício ao instituto, dizendo que a Câmara pagaria pelo trabalho. Só então foi feito requerimento solicitando autorização do plenário para pagar as despesas, contou Milanez.
A grande novidade do depoimento está na hipótese de ter sido feito encaminhamento de amostras de leite antes de a Câmara ter aprovado o pedido e, portanto, sem que haja informações sobre como as coletas foram feitas. Após a Câmara ter aprovado requerimento, foram feitas coletas de leite em vários pontos de venda, com o acompanhamento do promotor de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti.
Também ficou exposta uma contradição do ex-vereador Jaci Aguiar. Ele vinha afirmando que a iniciativa de solicitar uma análise do leite consumido em Londrina era de vários vereadores. A Folha não conseguiu localizar ontem o ex-vereador.
A acusação de que ex-assessores de vereadores estavam tentando extorquir diretores das cooperativas Cativa, de Londrina, e Central Norte, de Apucarana, foi feita pelas direções da Confederação das Cooperativas do Paraná (Confepar) e Cativa. Estão sendo acusados Fredemax Mota, que seria ex-assessor de Aguiar; Aristeu Rodrigues, ex-assessor de Alvair de Souza (PL); e José Rojas Gavilan, ex-assessor de Beto Scaff (PSDB). Eles teriam tentado extorquir R$ 30 mil da Cativa e R$ 50 mil da Central Norte para não divulgar os laudos do Adolfo Lutz.
O Instituto de Criminalística de Londrina ainda não concluiu o trabalho de transcrição do conteúdo da fita gravada por diretores da Cativa em conversa mantida com Mota e Aristeu Rodrigues, quando estes teriam tentado extorqui-los. Por dificuldades técnicas, o trabalho deve demorar mais cinco dias.





