Depoimento de Suely tumultua Fórum
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quarta-feira, 18 de dezembro de 1996
Lúcio Horta 
O depoimento da dona-de-casa Maria Suely Costa, sobre a morte da secretária Jacqueline Carneiro Lobo, acabou em confusão ontem à tarde no Fórum de Londrina. Parentes e amigos da vítima compareceram ao local portando cartazes e exigindo punição para a dona-de-casa. Quando Maria Suely saía do Fórum, eles gritaram assassina, provocando início de tumulto.
Os advogados de defesa Antônio Carlos Vianna e Antônio Amaral cobraram do juiz da 1ª Vara Criminal, Jurandir Reis Júnior, a prisão em flagrante de Claudinei Cunha e Onildo Ferreira Cunha, avô e tio de Jacqueline. A alegação dos advogados é que os dois teriam agredido a vítima. Ainda hoje vou pedir exame de lesão corporal, disse Amaral. Os parentes negaram a agressão.
Os advogados também denunciavam falta de decoro dos manifestantes. Isso é um desrespeito à dignidade da Justiça, na casa da Justiça e à sua autoridade. É falta de decoro. Funcionários do Fórum se aglomeravam nos corredores para ver o que estava acontecendo.
Segundo Amaral, a manifestação foi orquestrada por parentes da vítima com objetivo de criar um clima de pressão por parte da sociedade contra a ré e, por consequência, tirar a serenidade do juiz para julgar o caso. O juiz Jurandir Reis Júnior não aceitou as acusações e liberou os dois acusados.
Para os manifestantes, o clima ainda era de revolta e muita saudade. Vim aqui porque queria conhecê-la (Maria Suely) pessoalmente. Mas não agredi. Só disse que ela era a assassina de minha neta, dizia Onildo Cunha, avô de Jacqueline. Ninguém fez nada contra ela, completou o tio Claudinei. Mas vamos acompanhar esse caso até o final.
Para a amiga Érica Ribeiro, Jacqueline não merecia morrer da maneira como o crime aconteceu. Ela era uma pessoa muito dócil, amiga. Nunca fez nada contra ninguém.
O depoimento de Maria Suely deveria começar às 14 horas, mas acabou não acontecendo. Chorando muito, ela disse ao juiz que não tinha condições de responder nada naquele momento. Estou há quatro noites sem dormir. A dona-de-casa poderá voltar ao Fórum para depor durante a fase processual.
Ainda ontem, Jurandir Reis abriu a fase de defesa prévia, quando os advogados de Maria Suely poderão arrolar as testemunhas ao processo, pedir eventuais perícias (como a reconstituição do crime, por exemplo) e exames técnicos. As audiências - ou depoimentos das testemunhas - devem começar somente no início de janeiro. Mas como a ré continua presa, lembra o juiz, a tramitação deve ser mais rápida: o final do processo não pode exceder 81 dias a partir do dia em que ela foi presa.
No final da tarde de ontem, Maria Suely foi transferida do 2º Distrito Policial para o Posto do Corpo de Bombeiros da Zona Norte, onde foi preparada uma cela especial para abrigar a ré, já que ela é portadora de diploma de curso superior. A transferência atende despacho dado na sexta-feira pelo juiz Jurandir Reis.
O crime que resultou na morte da secretária aconteceu dia 22 de novembro, no Edifício Mônaco, centro de Londrina. Maria Suely, ex-mulher do então namorado de Jacqueline, o médico João Bento Moura Neto, atirou contra a cabeça da secretária na presença de seis policiais militares. Jacqueline morreria dois dias depois. A Promotoria denunciou Maria Suely por homicídio qualificado e hediondo, praticado com premeditação.


