Marcos Zanatta
A movimentação dos sem-terra, que saíram de Querência do Norte para engrossar o protesto em Loanda, obrigou o delegado de Nova Londrina, Eduardo Mady Barbosa, a cancelar o depoimento do presidente da União Democrática Ruralista (UDR) na região Noroeste, Marcos Prochet. Ontem, Prochet disse à Folha que decidiu comparecer para depor antes de ser convocado porque não aguentava mais as desinformações. ‘‘Não devo nada e tenho uma lista com mais de 30 testemunhas que comprovam onde eu estava na noite da ação nas fazendas de Marilena’’, explicou.
Quando Prochet começou a depor, o delegado recebeu um telefonema informando que os sem-terra estavam saindo de Querência do Norte para acompanhar o depoimento em Nova Londrina. ‘‘Fui obrigado a suspender o trabalho e dispensar o Prochet por medida de segurança’’, afirmou o delegado Barbosa. Ele disse ainda que não tem certeza de quando vai retomar o depoimento, que foi transferido para a delegacia de Paranavaí.
Reocupação Segundo o delegado, existiam informações que os sem-terra estariam dispostos a reocupar as fazendas Boa Sorte e Santo Angelo. ‘‘Existem funcionários das fazendas na área, e estamos com receio de um confronto’’, explicou Barbosa. Prochet disse à Folha que também tinha informações sobre a intenção dos sem-terra de retomar as duas fazendas de Marilena. ‘‘Nós acionamos a Polícia Militar da região, e chegamos a avisar o comando em Curitiba, mas a ordem é de não interferir, o que mostra que a polícia não está do nosso lado como dizem os sem-terra’’, afirmou Prochet.
No final da tarde a UDR divulgou nota, esclarecendo que a entidade acionou a Polícia Militar para as providências em relação ao deslocamento de sem-terra na região. A nota diz que dois ônibus, dois caminhões, uma camioneta média, uma pequena e dois veículos pequenos, eram utilizados pelos sem-terra, que poderiam ocupar as fazendas Boa Sorte, Santo Angelo e Figueira.
A UDR alega na nota que, por ordem do comando em Curitiba, a Polícia Militar não tomaria nenhuma providência, e que a orientação era para que os funcionários saíssem das propriedades visadas.
Remanejamento O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, também disse que foi informado de que as Fazendas Boa Sorte e Santo Ângelo, em Marilena, deverão ser novamente ocupadas pelos sem-terra acampados na Fazenda Água da Prata.
Segundo o secretário, a superintendência do Incra informou que o remanejamento das famílias será feito de forma pacífica, e que a transferência está sendo realizada para que a Fazenda Água da Prata, considerada produtiva, seja desocupada o quanto antes.
O secretário afirmou que a polícia somente será acionada para acompanhar a relocação dos sem-terra , caso haja indícios de violência.

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