Depoimento de menor baleado por PMs também é cancelado
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quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Fábio Galão<BR>Reportagem Local 
O depoimento do adolescente J.O.T. à 5 Vara Criminal de Londrina, marcado para ontem à tarde, foi adiado. Era a primeira vez em que o jovem, de 16 anos, falaria oficialmente à Justiça sobre o seu caso em 6 de abril de 2001, ele teria sido espancado e baleado por policiais militares e, em decorrência, ficou paraplégico. A sessão foi adiada porque um dos três policiais indiciados não pôde comparecer por ''motivos de saúde''.
Parentes e amigos de J., presentes no Fórum, ficaram indignados com o adiamento e reclamaram com os funcionários do cartório da 5 Vara. ''Fizeram o coitado do meu filho vir aqui, nesse estado, encarar os policiais que cometeram essa violência contra ele, pra nada! Se fosse filho de rico, estava tudo certo'', queixava-se Ana Otávio, mãe do adolescente. O clima no local era de tensão: segundo relatos, J. chorou muito quando viu os dois policiais que compareceram à 5 Vara. Para ''garantir'' a segurança, a família do jovem foi ao Fórum acompanhada de muitos amigos e vizinhos. Os dois policiais se negaram a conversar com a imprensa.
No dia do crime, J. estava sozinho em sua casa, no Jardim Maracanã (Zona Oeste) quando, por volta das 11 horas, dois PMs arrombaram a porta, o renderam e começaram a perguntar: ''Onde ficam as bocas (de fumo)?'' ''Quanto mais eu dizia que não sabia, mais eles me batiam. Aí, me algemaram e me levaram até a viatura, onde tinha outro policial. Então, atiraram em mim'', disse o adolescente. Na época, os policiais, identificados como Cabo S., Cabo C. e Cabo P.R.D., disseram que J. havia reagido.
P.R. teria sido o autor dos dois disparos. Uma das balas se alojou na medula óssea de J.. ''Depois de atirarem, eles ficaram desesperados. Me levaram pra Santa Casa e depois disseram que eu era ladrão'', disse o jovem. Maria Grego de Brito, vizinha de J., conta que viu tudo, mas não pôde fazer nada. ''Pedia pra eles pararem, terem piedade, que o menino era menor. Era uma violência absurda, ainda mais contra um jovem que nunca fez nada de errado. Mas os policiais me ignoraram'', contou Maria.
Poucos meses depois do incidente, em outubro, o secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares, presenteou J. com uma cadeira de rodas. A Folha tentou falar com o 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), na tarde de ontem, para saber a situação atual dos policiais envolvidos no caso. Mas, por ser quarta-feira, o expediente foi encerrado às 12 horas.


